Querida Leila!
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Mês que vem faz um ano que lançaste teu livro “Suindara” na Tentamen.
Não fui ao lançamento. Te encontrei depois quando a Walquíria Raiser lançou o dela, lembra?
Aproveito a magna data para estender neste Varal de Idéias o meu movimento cívico-epopéico para que tu comeces a escrever um romance. Já sinto que vai ser coisa muito boa e prazerosa essa campanha, tipo promessa: pedido feito, santo preparado!
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Outro dia, comecei a ler a autobiografia “Viver para Contá-la”, do Gabriel García Márquez. Quando li que a surrealista Macondo (do “Cem Anos de Solidão”) surgiu graças a um nome pintado na porteira de uma fazenda abandonada, fiquei surpreso com o detalhe, sabendo que a partir dele, o nosso colombiano maravilhoso nos ofereceu uma das maiores aventuras da imaginação humana.
Então, pensei: “nós já temos uma Macondo vivinha em flor, real, com explosões infinitesimais acontecendo desde os tempos d’antanhos, s mil universos paralelos, com os tempos esquecido que estendemersos paralelos, com criando trezentos mil universos paralelos por segundo (velocidade da luz, minha amiga!), um lugar onde todos os adjetivos da última flor do Lácio são insuficientes para desbravá-lo… Qual? Quem?… Ora, nossa Rio Branco!
Há lugar mais apropriado para uma saga?
A questão é: quem poderia escrevê-la?
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Há um ano, Leila Jalul lançou seu livro “Suindara”,
na Tentamen. Esta foto foi tirada pela filha do Elson Martins,
a pequena Yasmin.
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Aprendi, lendo Carl Sagan, que não se deve confundir “autoridade de argumento com argumento de autoridade”.
Em primeiro e alegríssimo lugar, descarto-me sorridente e faceiro de me meter nessa enrascada. Por motivo bem simples: magreza de talento. Sei que sou bom para dar aulas, para falar honestamente sobre sonhos (e senti-los), emocionar pessoas, em contribuir para que a esperança, a valorização humana et cetera estejam na direção do preservar e do promover a vida, meu princípio ético sustentabilista inegociável.
Em segundo lugar: está faltando um Gabo de saias no Acre.
Então, sobrou pra ti.
Poderia ser o Toinho, a Bruxinha, Dandão, Florentina, Sílvio (o Martinello e o Margarido), Elson, Gregório, Clodomir, Naylor, Robélia, Mauro e tantas gentes muito boas? Penso que cada um desses tem as suas maravilhas.
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O passado, o presente e o futuro na família…
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Mas a sintonia fina, aquela coisa de azeite, a cachoeira palavrosa, a inquietação nervosa e ferina, a poética da sensibilidade, a crepitação surrealista, e o amor terral e atmosférico por essas paragens, tu vai alimentando por aí.
Sim, sei que estou apelando.
Mas não é de graça, tem um preço. Afinal, o trabalho será teu… rsrsrsrs… (é irritante o internês: ninguém se preocupa mais em seduzir para o sorriso, basta colocar os indefectíveis hehehehe…kkkkkkkk….).
Começo com um esforço mental eisteniano-relativístico-quântico-gastronômico, cuja base teórica se inspira em Sir Arthur Eddington : “quando um elétron vibra, o Universo se agita”. Prestenção!
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Na Bahia, onde armou tenda, Leila deve estar se encontrando com Gregório de Matos
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Você está na “triste Bahia! oh quão dessemelhante”.
Não sei se tua casa tem terreiro (fico imagino tua peleja com o Gregório de Matos e Guerra, com ponta de sabre e bala de metralhadora!). Se tiver, arruma um lugar para montar um canteirinho (que possa ser visto do jirau, para pastorar). Planta umas verduras, faz amizade com o açougueiro para as boas peças de carne (que comida árabe é exigente) e instala um pote de barro de água fria coada no murim. Depois, sai juntando as energias do Caetano, Gil e João Gilberto (e claro, o Ubaldo Ribeiro e também Glauber) e vai fazendo um caldo em fogo brando. Trata e limpa as memórias falsas e verdadeiras para botar de molho. Se sinta a maior Sóror Joana Angélica, ponha o computador pra não pegar sol, prepare um café sem coador e comece a esboçar o romance… Que tal?
E onde entra o Sir Arthur Eddington?
É que estando na Bahia de Todos os Santos tu tem o distanciamento devido e, paradoxalmente, as lembranças, as inspirações, o insight (globalização, globalização!) podem vibrar mais.
E, enquanto o pernil vai cozinhando, bota no som Viola Enluarada que é pra lembrar dos amigos e saber que “a voz que canta uma canção se for preciso canta um hino”.
Cante para nós, Leila!
Beijos do amigo,
Marcos Afonso.
NOTA: As opiniões sobre o Movimento Cívico-Epopéico Gabo de Saias podem ser encaminhadas via internet comentando diretamente no
www.varaldeideias.com
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