Arquivado em outubro, 2008

O TEMPO E O SEU FEITIÇO…

 

 

 

 


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Há dois meses, ali na Thenny Vídeo, tive a alegria de encontrar em DVD o filme “Feitiço do Tempo”, de 1993, que já assisti umas quatro vezes. Trata-se de uma comédia deliciosa, onde um repórter de meteorologia parte para uma pequena cidade a fim de cobrir um evento da tradição local, mas misteriosamente fica preso no tempo, repetindo sempre o mesmo dia. A direção é de Harold Ramis (Máfia no Divã), com Bill Murray (Os Caça-fantasmas) e Andie MacDowell (Quatro Casamentos e Um Funeral) no elenco.
Ontem, sábado, o exibimos na Sociedade Philosophia, que se reúne quinzenalmente, nas tardes de sábado, na Biblioteca da Floresta, como parte do módulo “Introdução à Filosofia no Período Socrático”.
Navegando no Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br), me deparo com um bom texto sobre o filme, escrito pelo seu editor João Luís de Almeida, doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).
Reproduzo aqui no Varal de Idéias, partes do texto do Professor João Luís de Almeida, intitulado “Feitiço do Tempo – Horas de Reflexão”.
Quanto ao filme, se você ainda não assistiu, está perdendo tempo!
“Lidar com o tempo na sociedade contemporânea tem sido um dos maiores desafios que o homem tem enfrentado. Desde a Revolução Industrial foram criados inúmeros artifícios que teoricamente deveriam permitir que conseguíssemos dispor de mais horas para nossas atividades fora do trabalho, no entanto, o que podemos perceber é que há mais e mais pessoas reclamando continuamente da falta de tempo para o lazer, para a família, para novos estudos e por aí afora.
E se tivéssemos a nossa disposição a possibilidade de viver um mesmo dia outras vezes, em quantidade suficiente para que conseguíssemos corrigir os erros cometidos, aperfeiçoar ainda mais os acertos, ter um melhor relacionamento com as pessoas (reparando as eventuais falhas ou deslizes que cometemos no cotidiano) e, principalmente, para que nossas vidas fossem mais interessantes e estimulantes?
Esse é o mote que carrega a trama do filme "O Feitiço do Tempo
O que é aparentemente mais uma daquelas despretensiosas comédias norte-americanas, constitui um filme de grande interesse para as escolas por nos permitir refletir a respeito não apenas da forma como nos relacionamos com o tempo que temos em nossas vidas (o que por si só já seria importante, diga-se de passagem) mas, também, do modo como estamos vivendo nossos elos com pessoas de suma importância em nossas vidas (nossas famílias, amigos, colegas de trabalho ou de escola,…).
O Feitiço do tempo é tão instigante que foi indicado em importante e renovador trabalho da área de Filosofia que vem sendo utilizado em algumas de nossas escolas, isso lhe confere a aura de filme que realmente merece uma análise mais cuidadosa e uma reflexão mais profunda.
A história se inicia com uma equipe de jornalistas de uma estação de TV que são encarregados de produzir uma matéria sobre o "Dia da Marmota", tradicional festa realizada numa cidade do interior do estado onde opera a emissora. O repórter escalado para tal função está tendo que cumpri-la pelo quinto ano consecutivo, e fica extremamente aborrecido com isso. Some-se a esse dissabor o fato dele se tratar de uma pessoa cínica, que se confere o status de estrela e que, além disso, trata os outros com enorme desdém, para que possamos imaginar como o tempo pode curar as maiores feridas ou ainda, nos ajudar a consertar mesmo aquilo que aparentemente não tem solução aparente.
O que ocorre a seguir é a mesmice dos anos anteriores, as pessoas se repetem, os acontecimentos e mesmo as falas do "Dia da Marmota" parecem idênticas àquelas que o tal repórter presenciou nas visitas dos anos passados. Quando termina a filmagem, uma grande nevasca acaba interrompendo a viagem de volta e o obriga a retornar para a cidade.
Phil parece ter ficado preso no tempo, exatamente no dia que lhe parece o mais odiável entre todos os de sua vida. As pessoas a seu redor não tem a mesma consciência que ele, para elas, o dia não está se repetindo, o que lhe causa ainda maior angústia.
À princípio ele usufrui do conhecimento que possui em relação as coisas que ocorrem ao longo desse período de 24 horas de forma a obter vantagens para si mesmo. Na medida em que percebe que não consegue sair daquela situação (acorda várias vezes na mesma condição, amarrado à cidade, à marmota, aos habitantes, ao hotel e a seus companheiros de trabalho) fica desesperado. Com o passar do tempo, amadurece sua relação com o acontecimento e busca um desfecho positivo para esse momento ímpar.
Como dissemos, a inteligência do roteiro de Danny Rubin e a sensível direção de Harold Ramis (que contou com atuações convincentes dos astros Murray e Andie McDowell), nos permite pensar a respeito da forma como nós temos nos relacionado com o tempo (será que não o estamos desperdiçando com atividades fúteis? O tempo excessivo dedicado ao trabalho está revertendo em benefícios? E as nossas famílias, temos dedicado atenção a elas? Os amigos, a quanto tempo não os encontramos? Temos oportunidades de nos divertir? Estamos conseguindo aprofundar os estudos? Ou temos reclamado constantemente da falta de tempo para tudo isso e mais um pouco?) e com as pessoas (que consideração temos em relação a nossos colegas de trabalho? A quanto tempo não vemos nossos amigos e batemos um papo? Você tem dedicado algum tempo a seus filhos? Como vai a relação com seu cônjuge? Você tem visto seus parentes? E a qualidade desses relacionamentos, é das melhores ou tem deixado a desejar?).
 Vale a pena refletir!”
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AVISO AOS LEITORES E LEITORAS DO VARAL:
ESTAREI AUSENTE NOS PRÓXIMOS 30 DIAS, POR CONTA DE UM PROJETO QUE DEVO CONCLUIR.
VOLTAREI A ESCREVER NO DIA 16 DE NOVEMBRO.
MUITA SAÚDE, PAZ E ALEGRIA PARA TODOS(as).
E APROVEITEM BEM O TEMPO!
Marcos Afonso.

 

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