Arquivado em julho, 2009
OS NÚMEROS DO VARAL…
Publicado em 18 / jul / 2009.
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Um dos lugares mais aprazíveis de Rio Branco é o Café da Livraria Nobel.
Naquela paisagem de livros, é possível encontrar amigos, marcar um papo, ou simplesmente tomar café.
No começo, o Café era um modesto balcão. Agora, ocupa boa parte da livraria, aromatizando as páginas e as conversas soltas, sem perder o aconchego. Foi uma boa sacada dos seus proprietários. Perceberam que a turma da leitura gosta de um bom papo regado à café.
Assim, artistas, funcionários públicos, militantes, políticos, jornalistas, intelectuais, começaram a bater ponto no lugar, tal qual no Café do Theatro.
Os doces, iguarias, tipos de café, as conversas e os amigos, deixo para a Patrycia escrever com muito mais competência.
Pois bem.
No mês passado, recebo um telefonema da Veriana Ribeiro, estudante de Jornalismo da UFAC e filha dos diletos amigos Toinho Alves e Rejane.
– “Marcos, queremos que você vá à nossa sala dar uma palestra sobre como escrever uma coluna no jornal, que você coloque as características do texto, pesquisa, essas coisas… Só que antes eu e minhas colegas queremos entrevistá-lo amanhã, às 13 horas, no Café da Nobel…”
Achei muito interessante.
Encontrei no mesmo dia o Toinho, na Biblioteca da Floresta.
“Marrapaz, ou eu estou ficando velho ou a tua filha cresceu rápido!” – disse para o Toinho que abriu um sorriso de janeiro a janeiro. De fato, conheço a Veriana (e o Samuel, seu irmão) desde a barriga. E eles são responsáveis por um dos mais lindos textos que o Toinho já produziu e que alegra nossas almas: aquele em que ele os leva à beira do rio Acre para lançarem nas águas barrentas os seus respectivos bicos, num rito de passagem profundo e singelo.
Depois, fui vendo a Veriana crescer com a meiguice tímida que traz até hoje. Ela foi, foi e… olha aí: jornalista! E escreve com uma música alegre e instigante nas letras… (Confira seu blog: http://acriando.blogspot.com).
Dei a entrevista no Café da Nobel, às 13 horas, mas protegido pelo ar condicionado. Éramos quatro. Contei um bocado de coisas. E combinamos a palestra.
Foi quando caiu a ficha! (sim, aquele mesmo metal barato e redondo que usávamos no século passado para acionar um orelhão perdido).
Percebi que eu ainda não tinha feito nenhum levantamento sobre o Varal de Idéias, sua repercussão, aceitação, críticas, etc, e iria falar sobre ele para uma turma de acadêmicos de jornalismo!
Para quem não sabe, admito: por preguiça ou postergação rebelde, sou meio jurássico nessas internéticas ondas. Até hoje, meus artigos são postados pela gentil colaboração voluntária do designer Denison da Luz, um dos melhores do Acre, que toca a competente www.lenoa.com.br .
Ligo para o Denison: “Preciso urgente de todos os números do Varal: acessos, links, dias, tudo o que for possível”.
Uma pausa: dois meses antes, o Itaú Cultural patrocinou um interessantíssimo curso para jornalistas na Biblioteca da Floresta. Nomes expressivos da imprensa brasileira vieram dar as aulas.
Foi quando fiquei sabendo, através da jornalista Giselle Lucena (autora de uma belíssima monografia sobre o nosso Chico Pop), que um dos professores do Itaú Cultural havia realizado um levantamento sobre os blogs do Acre, e que o nosso Varal de Idéias estava lá, como o quarto mais acessado do Estado (o primeiro, lógico, é o do amigo Altino – sempre assíduo com as notícias e postagens; o segundo, o do Toinho Alves – para nossa alegria; o terceiro a Giselle não lembra, mas refere-se a um coletivo ligado às artes; e em quarto, lá estávamos nós. E também me disse que o Varal estava como o 2º. mais citado em outros blogs (gentileza dos amigos).
Era o que eu tinha.
Enquanto o Denison fazia o levantamento dos números, fui preparando outros dados.
O Varal nasceu para divulgar a Cultura, a Filosofia e a Política. Seria semanal e aos domingos, atingindo dois públicos: o do jornal e o da internet (uma internitização do jornal e uma jornalização da internet, dizia brincando).
A coluna é publicada em página inteira no jornal PÁGINA 20, e lançada simultaneamente na rede aos domingos. O que muda é a diagramação. Se no jornal ganha outra perspectiva e arte com o preto e branco (o Rodrigo no início e agora o Ronaldo, bons e pacientes diagramadores), na internet o Varal se estende colorido.
Para mim, escrever dá trabalho e exige pesquisa, estudo, muita leitura. Para a palestra, fiz um levantamos dos meus Favoritos na internet até o dia 26 de junho: 750. Desses, 51 são prioritários e 31 são de leitura obrigatória e diária.
Tenho por costume, arquivar dezenas de artigos, resenhas, crônicas, matérias de fundo, em pastas para leituras posteriores (alguns deles são reproduzidos no Varal). E também assino algumas revistas semanais e mensais sobre política, filosofia e cultura, que chegam pelos correios.
Garimpo com paciência budista boas fotos na rede, sabedor de que uma fotografia pode valer por mil palavras. (Sinto certo constrangimento aqui, porque a maioria das fotos não possui crédito, e publico algumas como se fossem de domínio público. Isso é assunto longo…).
Carrego comigo sempre três cadernos, cadernetas, para anotações, registros de impressões, palavras, etc. É um grande esforço, porque sei que não tenho o talento dos meus antigos mestres das redações: o Elson Martins e o Silvio Martinello.
Mas, essas são ações de manutenção do Varal.
O que precisa mesmo, a substância, é ter vivência cultural e política, gostar dos livros, filmes, teatro, arte, música, palestras e oficinas. Coisas que faço e aprecio há muito tempo. Sem isso, não teria coragem de estender o Varal aos domingos.
No dia da palestra na sala da Veriana, que foi na noite do dia 26 de junho, o Denison me entregou os resultados do Varal na internet. E ficamos surpresos com alguns números. Vejam:
Em um ano e três meses
(31 de março de 2008 a 26 de junho de 2009),
o Varal de Idéias foi acessado
40.850 vezes.
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No período foram postados 74 artigos,
com um total de 480 comentários.
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O Varal mais acessado e comentado foi o
“Do limão não sai só limonada…”,
artigo delicioso de autoria da Patrycia Coelho, minha mulher,
com 814 visitas e 21 comentários.
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O Varal é mais lido na segunda-feira,
entre 10 e 22h00
(um recorde de acesso ocorreu
por volta das 16h00, com 527 registros).
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Os temas das postagens ficaram assim distribuídos
(saiba que alguns se sobrepõem):
22 sobre cultura e política,
19 de filosofia,
15 sobre história e
10 abordando sustentabilidade.
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E um dado curioso:
36 países já acessaram o Varal
25 foram detectados pelo postador; alguns deles:
Portugal, Rússia, Alemanha, França, Canadá, Angola, Espanha, Itália, Argentina, Peru, Moçambique, Ucrânia, China…
Ficamos (eu, Denison e a Patrycia – que é a minha exigente e carinhosa “editora”), muito contentes com os números.
Por quê?
Porque o Varal não surgiu para competir com ninguém.
Sempre aos domingos, em um ano e três meses, o Varal contribuiu para que a cultura, a filosofia, a grande política, fossem lidos numa outra ótica por várias pessoas.
O Varal consolidou seu princípio ético inegociável: o de preservar e promover a vida. A calúnia, o ataque gratuito, a mediocridade, não encontram lugar na coluna.
É claro que sem a minha família, a amizade e o incentivo dos amigos, alunos e ex-alunos, dos companheiros e companheiras de batalha, colegas de profissão (jornalistas e professores), além do grande banco de e-mails que possuo de muitos deles, não chegaríamos a esses números.
E estendo um carinho especial a todos e a todas que escreveram no varal (480 comentários): são opiniões sinceras, honestas, de esperanças, angústias, alegrias, apreensões, somas. Muitas e muitas vezes o nível dos comentários foi superior ao artigo postado. E isso é maravilhoso!
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Possa ser que eu esteja valorizando os números.
Talvez eles não sejam lá muita coisa.
Mas como venho falando (sobre as reuniões da Sociedade Philosophia): “enquanto houver um grupo de pessoas se reunindo a cada quinze dias, durante duas horas, para celebrar a Filosofia, devemos ter esperança!”. Se, além dos leitores do jornal, milhares de pessoas estenderam seus olhos pela internet no Varal de Idéias, devemos continuar tendo esperanças…
Os números do Varal são uma importante demonstração de que os sonhos se somam…
E só me resta agradecer aos sonhadores e sonhadoras!
Meus verdadeiros colegas…
Categoria Artigos. 17 Comentários.
