Arquivado em outubro, 2010
CHICO POP DE VOLTA AO CASARÃO!
Publicado em 24 / out / 2010.
FOTOS: ACERVO DA FAMÍLIA
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O Chico Pop, essa verdadeira hipérbole, nasceu em Cruzeiro do Sul, na atenção de São Francisco de Assis, mas armou a sua tenda na cidade de Rio Branco nos tempos das barricadas de 68, do homem na lua, da psicodelia Pink Floyd e da flama ardente Led Zeppelin. Filho seringueiro do Woodstock e do Tropicalismo dirigiu toda sua força e estendeu sua bandeira no jornalismo cultural, passando a incendiar, aclarar, subversar, numa sociedade de muitos ais, que tais e tititis.
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Ele era uma antena ambulante da inquieta estação de rádio, que captava o mundo e distribuía a novidade pela província anestesiada.
Sacou como poucos, que a música, a poesia, o teatro, as artes, poderiam desasnar mentes alienadas, desestabilizar convenções modorrentas e ampliar as liberdades, num período de ditadura militar no Brasil.
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O Chico Pop não ideologizava a sua produção jornalística. Mas ela tinha direção. Ele escrevia para ser eficaz, para produzir efeitos, levantar novidades, provocar incêndios localizados, turbinar uma latência. Isso, num mix de escracho, mansa ironia, generosidade e apuro estético, típicos de sua mente livre e coração aberto.
Seu nome poderia ser também Chico Famp, ou Chico Festival, pelo amor que tinha à “arte divina”: a Música (e às suas arenas encantadas: os festivais).

Ninguém da nossa geração deixou de vibrar nos palcos do Vasco da Gama, Ginásio Coberto ou nos barrancos da Praia do Amapá. Em todos esses festivais de música, explosão, irreverência, lá estava o Chico Pop, miúdo, por vezes circunspecto, ora deboche – ora respeito, incentivador, julgador, cantador…
Poderia ser chamado também de Chico Soma, essencialmente porque o Chico Pop não tinha senso de propriedade egoísta: a boa música, o bom livro, a grande poesia, tinham de ser repassados obrigatoriamente pelos altofalantes da cidade, páginas dos jornais, microfones das rádios. Ele, como arauto e mensageiro, entendia que o bom deveria ser propriedade do mundo.
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Uma das marcas do Chico Pop era a impagável xilogravura do Charles Chaplin, sempre acompanhando suas colunas. E isso diz muita coisa. Não foi à toa que a jornalista Giselle Lucena, ao introduzir sua sensível monografia sobre o Chico Pop, cologou a frase do Vagabundo: “Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura”. Como Chaplin, o Chico foi um rebelde humanista.
Agora, a geração dos nossos filhos poderá conhecer um pouco de nós, da nossa história, com a “Sala Chico Pop”, que será entregue quando da inauguração do novo Casarão este ano, obra carinhosa do governador Binho Marques (que também batia ponto no lugar).
Chico veio à vida solar em 1944. Partiu numa quarta-feira de cinzas de 2006, de um câncer na laringe.
Portanto, ele não morreu, mas se transformou em purpurina – como afirmou certa vez. No Casarão a sua purpurina vai estar brilhando nas mesas, nas exposições, no café, nas velhas-novas canções de sempre…
Voltará a viajar com os que insistem em sonhar altos voos!
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Chico Pop (1944 – 2006)
NOTA: Na entrega do novo Casarão, haverá o lançamento do livro sobre Chico Pop, de autoria da jornalista Giselle Lucena. O Casarão voltará a funcionar com outro estilo, sob as sugestões de seus fundadores e freqüentadores mais assíduos, em parceria com o Departamento Histórico da FEM e Governo do Acre. .
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Este Varal tem por base um texto que escrevi para a apresentação do Festival Chico Pop, realizado em 2009, a pedido do seu coordenador, o músico Aarão Prado.
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