Arquivado em março, 2011

HAJA HOJE PARA TANTO ONTEM…

 

Eu atravesso as coisas — e no meio da travessia não vejo!

só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada.

Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa;

 mas  vai dar na outra banda é num ponto mais embaixo,

bem diverso do que em primeiro se pensou (…)

o real  não está na saída nem na chegada:

ele se dispõe para a gente é no meio da travessia…” 

(João Guimarães Rosa, 1986: 26-52).

Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 
                                                   

           Volto a estender o nosso Varal de Idéias.


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            Já muitas pontes passaram nestas águas do meu Riobranco de janeiro, fevereiro e março, alô, alô, Elson Martins, aquele abraço! Alô torcida da utopia, aquele abraço! Alô, alô…

            Desde dezembro passado fiquei só vendo, sabendo, sentindo, escutando, falando pouco, seguindo obediente o Chico, me guardando para quando o carnaval passar… Só assim o Brasil começa.

            E nesse fiapo de tempo, milhões de acontecimentos brotaram em nossas telas, jornais e rádios. Um tormento para quem volta a escrever.

            Junho do ano passado rondava eu por São Paulo (que na definição do polêmico chef e escritor Anthony Bourdain é uma mistura de New York com a Cidade do México, o que concordo, mesmo sem conhecer a última), e lá ia eu subindo distraído a ladeirona da Consolação protegido pelo acaso, quando me deparo, bem na entrada da Avenida Paulista, com uma pichação maravilhosa, uma síntese perfeita, anônima, da atual crise epistemológica, midiática, global, neocoisaetal…

            - “Haja hoje para tanto ontem.”

            Então, armado com minha jurássica caderneta Moleskine, empunhei a japonesa caneta Mitsubishi (dessas ordinárias, mas que escreve igualzinho às velhas Parker tinteiro), e escrevi impávido colosso a frase que me apaixonou. 


Pandora abrindo a Caixa de todas as aflições…
 

            Na Avenida Paulista, andei, andei, até ficar com dó de mim… (o Chico, o Chico). Depois fui bater ponto na Livraria Cultura. Subo e desço entre os livros, CDs, DVDs, regalos, quando me enamoro – sem compromisso (mais um tipo “ficar”), com um livro de Max Mallmann: “O Centésimo em Roma”.

            Tenho certo tremor quando me vejo frente a frente com os chamados romances “históricos”, dadas as barbaridades maionésicas escritas e as desinformações burríssimas despejadas na juventude (claro, tem coisa boa, Gore Vidal, por exemplo).

            Estou lá às duras penas, “ficando” com “O Centésimo de Roma” quando me encontro com outra frase interessante: “Todos os caminhos levam a Roma. Nenhum tem volta.

            Moleskine e Mitsubishi prontamente sacados. Beijada a frase, findo o namoro. 


Prometeu, defensor da humanidade, rouba o fogo de Zeus para
 
dá-lo aos homens… (tela de Heinrich Friedrich Füger de 1817)

             Recentemente, a University of Southern California publicou um estudo afirmando que hoje se lê, por dia, o equivalente a 174 jornais de informações (cinco vezes mais do que em 1986). Usando uma fórmula para calcular a quantidade de dados armazenada e enviada no mundo, considerando todas as mídias, o estudo conclui ainda que cada pessoa produz em média 6 jornais de informação diariamente. Para se ter uma idéia, há 25 anos enviávamos em torno de 2 páginas e meia, principalmente pelo correio, telefone e fax.

            Hoje, agora, neste exato momento, o que sai da Caixa é tudo atrasado, enorme, voluptuoso, lava incandescente do ontem, coisas que não cabem na retina nem na dialética. Mas a Pandora… Ah! A Pandora… Ela é linda!…   

            Comportará o hoje tanto ontem?

            Haverá volta de tão gulosa Roma?

            Me apego teimoso ainda na sabedoria do ex-jagunço Riobaldo Tatarana, no seu grande sertão: o real está no meio da travessia.

            Por isso ontem, 26 de março, sábado, reunimos um grupinho de chegados na nossa casa para queijos e vinhos. Na Hora do Planeta (20h30 – 21h30) desligamos as luzes, acendemos as velas…

            Como diz o filósofo, simplesmente somos pessoas que ainda sentam ao redor de uma fogueira para contar histórias… Aqui e agora. 

           

 

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