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		<title>A COZINHA DO OLIMPO&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Aug 2010 04:01:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[TEXTO DE PATRYCIA COELHO
Fotos: Marcos Afonso


 A singela entrada do Restaurante Acrópolis&#8230;


Aquela tarde paulistana de início de agosto já ia bem encaminhada quando chegamos ao endereço simples e sem muita afetação. Eu, o Marcos e o Mateus (meu filho), estávamos com uma fome de ‘’anteontem”.
Na frente, um simpático senhor, protegido do frio, convidava para entrar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #993366; font-size:16px;"><strong>TEXTO DE PATRYCIA COELHO</strong></span></p>
<div style="text-align: right;"><strong>Fotos: Marcos Afonso</strong></div>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_520" class="wp-caption alignnone" style="width: 484px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-520" title="A singela entrada do Restaurante Acrópolis..." src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image001.jpg" alt="A singela entrada do Restaurante Acrópolis..." width="474" height="356" /> <strong>A</strong> <strong>singela entrada do Restaurante Acrópolis&#8230;</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Aquela tarde paulistana de início de agosto já ia bem encaminhada quando chegamos ao endereço simples e sem muita afetação. Eu, o Marcos e o Mateus (meu filho), estávamos com uma fome de ‘’anteontem”.</p>
<p style="text-align: justify;">Na frente, um simpático senhor, protegido do frio, convidava para entrar e já perguntava: “- Mesa para quantos?” Na voz, o leve sotaque já dava a entender ser gente de outras terras, mas o sorriso parecia bem brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">O restaurante foi uma indicação do querido amigo Jorge Henrique, segundo ele, imperdível: não só pelo preço &#8211; nada astronômico &#8211; mas pela simpatia e carisma do dono, o seu Trasso, um simpático grego de 93&#8230; Sim, vocês leram bem, 93 anos!</p>
<p style="text-align: justify;">Quando entramos no salão, já lotado àquela hora da tarde, compreendemos um pouco da magia do lugar: logo que sentamos, nos foi oferecida uma salada, antes da escolha dos pratos. Eu, gulosamente, pedi uma porção inteira. A salada simples de alface, tomate, raspas de queijo e enormes e suculentas azeitonas pretas, além de outras coisinhas, exalava frescor. Um bom azeite garantia o sabor delicado.  Para acompanhar, pão fresco. Nem precisava mais.</p>
<p style="text-align: justify;">O restaurante existe desde 1959. Seu Trasso casou com uma mulher cuja irmã morava no Brasil e a saudade fez o resto. Dona de restaurante, a cunhada empregou aquele imigrante desejoso de aprender e ele foi ficando. Garçom, cozinheiro e depois, sócio&#8230; Em 1969, uma tragédia familiar: perdeu a esposa e a filha, a cunhada e um sobrinho. Então, teve de assumir de vez o restaurante. De lá para cá, muito trabalho e reconhecimento, como atestam as numerosas fotos e vários prêmios expostos nas paredes.</p>
<p style="text-align: justify;">A comida é caseira e farta, cheia de sabor.</p>
<p style="text-align: justify;">O seu Trasso nos mostra a cozinha envidraçada e a garçonete nos orienta: “- A senhora olha os pratos, escolhe e eu trago até a mesa”. Arrisquei um olho para as assadeiras e panelas lotadas. A um canto, um dos cozinheiros mexia o que parecia ser o molho da moussaka.</p>
<p style="text-align: justify;">(Detalhe: em recente programa exibido no canal GNT, da SKY, um encantado Olivier</p>
<p style="text-align: justify;">Anquier acompanha o preparo e de quebra nos dá a receita, observado de perto pelo olhar divertido do dono: manteiga e farinha de trigo, gemas de ovo, leite em quantidade suficiente para um creme espesso e muito, muito queijo ralado.)</p>
<p style="text-align: justify;">Numa assadeira, camadas de berinjela grelhada, batatas e carne moída. Por cima, o molho. Forno quente e uma assadeira dourada depois, pra comer de joelhos.</p>
<table style="height: 221px;" border="0" cellpadding="5" width="519">
<tbody>
<tr>
<td>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_523" class="wp-caption alignnone" style="width: 222px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-523" title="A moussaka e o camarão empanado..." src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image0022.jpg" alt="A moussaka e o camarão empanado..." width="212" height="157" /> <strong>A moussaka e o camarão empanado&#8230;</strong> </dt>
</dl>
</div>
</td>
<td>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_524" class="wp-caption alignnone" style="width: 221px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: left;"><strong><strong><strong><strong><img class="size-medium wp-image-524" title="A torta de semolina..." src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image003-300x225.jpg" alt="A torta de semolina..." width="211" height="158" /></strong></strong></strong>A torta de semolina&#8230; </strong></dt>
</dl>
</div>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;">No dia em que lá estivemos, havia salmão e pato com batatas e cogumelos, acompanhados</p>
<p style="text-align: justify;">de arroz. Camarões empanados, carneiro e além da moussaka, prato mais que típico da cozinha</p>
<p style="text-align: justify;">grega, lulas cozidas em um belo molho de tomate. As porções são para trabalhador do campo, enormes.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedimos três pratos.</p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_525" class="wp-caption alignnone" style="width: 481px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-525" title="Nossa mesa de salada, pato, camarões e a minha moussaka..." src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image0042.jpg" alt="Nossa mesa de salada, pato, camarões e a minha moussaka..." width="471" height="354" /><strong>Nossa mesa de salada, pato, camarões e a minha moussaka&#8230;</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Não consegui dar conta da minha porção toda, o que lamentei pelo resto da tarde.</p>
<p style="text-align: justify;">Simplesmente não cabia, após comer sozinha meia salada com pão.</p>
<p style="text-align: justify;">Para arrematar, dividimos uma das sobremesas, uma deliciosa torta de semolina com bastante</p>
<p style="text-align: justify;">mel por cima. Mas, se o estomago agüentasse, ainda havia torta de nozes, pudim de leite e mais</p>
<p style="text-align: justify;">uns quatro ou cinco tipos de pecado, a escolher.</p>
<p style="text-align: justify;">Seu Trasso, com toda a simpatia e de olho na entrada dos fregueses, nos conta de seu amor pelo</p>
<p style="text-align: justify;">Brasil, país que o ajudou e que segundo ele, trata muito bem o imigrante. Com um largo sorriso, nos</p>
<p style="text-align: justify;">diz que nunca irá embora daqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Saio de coração apertado ao ver tanta energia em um senhor de tamanha idade, que vai todos os</p>
<p style="text-align: justify;">dias ao Mercadão escolher pessoalmente o peixe, o carneiro e as folhas tenras que comemos no almoço.</p>
<p style="text-align: justify;">Penso na generosidade desse país imenso, que acolheu tantos como ele e ajudou a misturar culturas</p>
<p style="text-align: justify;">diferentes. Me vem à lembrança meu avô português, Aníbal Lopes, e no quanto aprendemos com ele.</p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_526" class="wp-caption alignnone" style="width: 481px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: left;"><strong><img class="size-full wp-image-526" title="Meu filho Mateus, o seu Tasso e eu..." src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image0051.jpg" alt="Meu filho Mateus, o seu Tasso e eu..." width="471" height="340" />Meu filho Mateus, o seu Trasso e eu&#8230;</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Tiramos algumas fotos, ele mesmo afastando cadeiras e colocando o seu melhor sorriso.</p>
<p style="text-align: justify;">Com tanta simplicidade, seu restaurante faz parte do roteiro de preciosidades de uma cidade</p>
<p style="text-align: justify;">que não para.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando for a São Paulo, não deixe de visitar o Acrópolis – a Cozinha do Olimpo. Fica na</p>
<p style="text-align: justify;">Rua da Graça, n. 364, no Bom Retiro.</p>
<p style="text-align: justify;">O seu Trasso vai estar lá lhe aguardando com seu sorriso e suas delícias&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>A DAMA DA BIENAL!</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Aug 2010 03:56:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[ 

Sexta-feira 13. De agosto.
Uma quente manhã paulista recepcionou a abertura pública da 21ª. Bienal Internacional do Livro, que homenageia Monteiro Lobato e Clarice Lispector.
Trezentos e cinqüenta expositores lotam o Anhembi, que deverá receber mais de 700 mil visitantes. Estou participando a trabalho, porque ao lado da jornalista Rose Farias e da Bibliotecária Helena Carloni, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-487" title="image002" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image0021.jpg" alt="image002" width="161" height="216" /> <img class="alignnone size-full wp-image-488" title="image004" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image0041.jpg" alt="image004" width="292" height="216" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-489" title="image006" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image006.jpg" alt="image006" width="463" height="347" /></p>
<p style="text-align: justify;">Sexta-feira 13. De agosto.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma quente manhã paulista recepcionou a abertura pública da 21ª. Bienal Internacional do Livro, que homenageia Monteiro Lobato e Clarice Lispector.</p>
<p style="text-align: justify;">Trezentos e cinqüenta expositores lotam o Anhembi, que deverá receber mais de 700 mil visitantes. Estou participando a trabalho, porque ao lado da jornalista Rose Farias e da Bibliotecária Helena Carloni, faço parte da Comissão Editorial da futura “Coleção Acreana”, idealizada pelo prof. Pedro Vicente.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma bienal onde o movimento é maior que o elemento.</p>
<p style="text-align: justify;">Acontece de tudo ao redor dos livros. E num ar de partículas ínfimas que doem nos olhos, sinto que estou na arena de uma das maiores resistências desses tempos pós e pósmodernos. De um lado, lutam nossas amadas páginas tradicionais; e do outro, o eletrônico livro com todo o seu encantamento, mobilidade e novidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é à toa que a Bienal irradia um ar de excitação e galanteio.</p>
<p style="text-align: justify;">A Dama do Anhembi é o livro tradicional. Mas o Cavalheiro Eletrônico está lá, em menor número, mas cheio de clientela e de compradores. O Eletrônico é elegante. Respeita aquela que vai render-se aos seus encantos e estímulos infalíveis do mercado. É um bom soldado que espera.</p>
<p style="text-align: justify;">Os organizadores da Resistência sabem o que estão fazendo: centraram fogo na estudantada e nos jovens. Tem desde crianças do jardim até aos que estão nas universidades (sou do tempo dos “Jardins de Infância” – que nome lindo!&#8230;).</p>
<p style="text-align: justify;">Aí acontece de tudo: passeata nos tapetes vermelhos, teatro, cheiro amanteigado das pipocas, shows de mágicas, comilança, autógrafos, gastronomia (chefes cozinhando ao vivo), vídeo, gritaria, professores estafados e flash, muito flash, flash de tudo que é celular e máquina fotográfica.</p>
<p style="text-align: justify;">Aderi.</p>
<p style="text-align: justify;">Como ainda não dá para fazer uma análise mais profunda sobre a Bienal, resolvi estender um Varal cheio de FOTOS-LEGENDA, só para você sentir um pouco do que eu escrevi no início: “O movimento é maior que o elemento”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-490" title="image008" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image0081.jpg" alt="image008" width="308" height="410" /></p>
<p style="text-align: justify;">A Ana Luiza, 8 anos, estuda o 3º. Ano no Colégio Piaget. Encontrei-a correndo afobadíssima atrás de “livros de dragão”. Perguntei e ela me diz: “Ora, gosto porque são impressionantes, brilhantes, inteligentes&#8230; e algumas vezes perigosos, para nos ensinar que nem tudo é bom”. Ana posa satisfeita com o livro “O Herdeiro Dragão”, de Cinda Willims Chima, Editora Farol. A Ana, quando crescer, vai ser veterinária.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-491" title="image010" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image0101.jpg" alt="image010" width="278" height="232" /> <img class="alignnone size-full wp-image-492" title="image012" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image012.jpg" alt="image012" width="177" height="233" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-493" title="image014" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image014.jpg" alt="image014" width="228" height="171" /> <img class="alignnone size-full wp-image-494" title="image016" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image016.jpg" alt="image016" width="229" height="171" /></p>
<p style="text-align: justify;">Para atrair o interesse de tanta energia, livros de Maquiavel, Diderot, Proudhon, Cícero, Machado de Assis e Nietzsche, são vendidos a três reais, enquanto os minúsculos “O Pequeno Príncipe”, “Alice no País das Maravilhas”, o Novo Testamento e textos de Gandhi e Che Guevara, são atrações mais caras (19 reais).</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-495" title="image018" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image018.jpg" alt="image018" width="281" height="219" /> <img class="alignnone size-full wp-image-497" title="image020" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image020.jpg" alt="image020" width="163" height="219" /></p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto o teatro de bonecos acontece, Maria Lúcia, 16, que faz o primeiro ano de Magistério na escola municipal Derville Allegretti, diz segura: “Adoro romance policial, leio muito, até dentro do ônibus: dois livros por mês! Já pensei em ser escritora. Desisti. Mas vou fazer Letras ou História na Universidade”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-501" title="image022" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image0221.jpg" alt="image022" width="244" height="181" /> <img class="alignnone size-full wp-image-498" title="image024" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image024.jpg" alt="image024" width="194" height="260" /></p>
<p style="text-align: justify;">A propaganda do livro digital é imponente, mas a estudante Daiane Souza, 13 anos, fez questão de desafiá-la ostentando o livro “Morte no Nilo”, de Agatha Christie, que acabara de comprar: “Ele é melhor e pronto!”</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-499" title="image026" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image026.jpg" alt="image026" width="218" height="293" /> <img class="alignnone size-full wp-image-502" title="image028" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image028.jpg" alt="image028" width="220" height="294" /></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-503" title="image030" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image030.jpg" alt="image030" width="451" height="340" /></p>
<p style="text-align: justify;">Já o estudante Douglas Maciel, 15 anos, gosta do livro eletrônico porque é uma atração e também por fazer Mecatrônica, área da robótica: “Mesmo assim, com o outro livro você vê o papel”, afirma enquanto lê uma página de “Dom Casmurro”, no e-book.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-504" title="image032" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image032.jpg" alt="image032" width="291" height="216" /> <img class="alignnone size-full wp-image-505" title="image034" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image034.jpg" alt="image034" width="163" height="217" /></p>
<p style="text-align: justify;">No “Espaço Gourmet” você come o que compra e “ainda aprende a fazer com o Chef Luis Farias”, diz o orgulhoso André Boccart, curador do Espaço. Enquanto isso, ao lado, o famoso ator e cineasta “Zé do Caixão” (José Mojica Marins), bombardeia a onda de “vampiros” que assola os livros, filmes e estilos. “Tudo isso é uma bobagem. E pior, vem do estrangeiro&#8230; Temos coisa melhor aqui!”, solta seu grito de guerra, causando arrepios na juventude dos “Crepúsculos” da vida. O riso é inevitável.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-506" title="image036" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image036.jpg" alt="image036" width="208" height="156" /> <img class="alignnone size-full wp-image-507" title="image038" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image038.jpg" alt="image038" width="251" height="188" /></p>
<p style="text-align: justify;">Não somente fotografei como fui fotografado.</p>
<p style="text-align: justify;">Já no fim da minha peregrinação (não via o sol para saber a direção de Meca), com os pés em frangalhos, olhos ardendo, nariz afundando-se naquele oceano explosivo de ácaros, eis que me deparo com a livraria do Centro Islâmico do Brasil. Fiquei curioso. Conversei e perguntei se podia fotografar. Nada! Rapidamente, num simpático &#8211; e digamos &#8211; religioso assédio, um dos atendentes “montou” uma linda foto digna aos olhos de Alá. Tudo muito respeitoso, menos a minha gafe: ao despedir-me, ousei apertar a mão da senhora&#8230; Proibidíssimo para eles (eu esqueci&#8230; eu juro que esqueci&#8230;).</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-508" title="image040" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image040.jpg" alt="image040" width="465" height="349" /></p>
<p style="text-align: justify;">Com ou sem os deuses do Olimpo, Javé, Alá, Cristo ou Maomé, Ogum ou Iemanjá, a sorte está lançada: até quando nossa Dama de papel resistirá ao Cavalheiro eletrônico? Como terminará este folhetim?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>TÃO ACRE…</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 06:28:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[

Foto: Sérgio Vale


Acabou a Exposição Agropecuária.
A “cavalada” de abertura, como diz a minha irmã Sônia, contou com um “sol a brilhar soberano sobre as matas que o vêem com amor”.
Lembrei-me da do ano passado, quando a friagem entristeceu vários banhistas devidamente paramentados com sungas e biquínis, que tremelicavam de frio na pérgula de uma piscina [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_471" class="wp-caption alignnone" style="width: 512px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-471" title="Sérgio Vale" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image002.jpg" alt="Sérgio Vale" width="502" height="366" /><strong>Foto: Sérgio Vale</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Acabou a Exposição Agropecuária.</p>
<p style="text-align: justify;">A “cavalada” de abertura, como diz a minha irmã Sônia, contou com um “sol a brilhar soberano sobre as matas que o vêem com amor”.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembrei-me da do ano passado, quando a friagem entristeceu vários banhistas devidamente paramentados com sungas e biquínis, que tremelicavam de frio na pérgula de uma piscina corajosamente plantada na carroceria de um caminhão.</p>
<p style="text-align: justify;">E parece também que desta vez, para o bem da ortodoxia, a presidência da CUT não montou sela na cavalaria.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o interessante é a “outra” exposição: a Exposição Pop, que todo ano instala seu acampamento encolhida entre o muro e o motel que, a favor do capital e em detrimento do prazer, fecha seus ninhos e se transforma num lucrativo estacionamento.</p>
<p style="text-align: justify;">A Exposição Pop ultrapassa a fronteira móvel dos carros e se expande também “do outro lado” da avenida. No geral, são centenas de biroscas para todos os gostos: churrascos felinos, “quebes”, comidas de sustância, coisas várias no tucupi, cervejas e destilados, além de um parque de diversão com equipamentos vertiginosos, de abalar os nervos. E tudo envolvido naquela bruma amarelada, fina e persistente do poeiral. Tão Acre&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Felizmente, a cada ano, a Feira oficial fica menos agropecuária e mais diversificada economicamente, o que é bom para todos.</p>
<p style="text-align: justify;">E ainda nesta semana, participei de uma interessante mesa redonda com Dom Moacir Grechi, Ir. Graciema e a professora Marília Santana, num encontro internacional das freiras Servas de Maria Reparadoras. Falei sobre um “Outro Mundo Possível”, para religiosas do Brasil, Itália, Argentina, Costa do Marfim, Togo, Espanha e Albânia.</p>
<p style="text-align: justify;">Dom Moacir vai bem e me convidou para dar palestras na sua Faculdade de Filosofia em Porto Velho, Rondônia, o que foi um presente para o meu dia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_472" class="wp-caption alignnone" style="width: 383px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-472" title="image004" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image004.jpg" alt="image004" width="373" height="404" /> <strong>O livro do Zé Leite é leitura obrigatória  para historiadores, estudantes, focas e dinossauros&#8230;</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Fiz também minha obrigação sindical.</p>
<p style="text-align: justify;">Subi a sinuosa escada de um prédio comercial, no alto da ladeira da Maternidade – de quem vai para o Teatro – e botei minhas contribuições em dia no Sindicato dos Jornalistas, tornando-me apto a votar numa das chapas da FENAJ e na reeleição do colega Marcos Vicentti, fotógrafo dos bons. Dele, ganho de presente o maravilhoso e hilário “Tão Acre – O Humor Acreano de Todos os Tempos II”, do nosso inesquecível Zé Leite.</p>
<p style="text-align: justify;">José Chalub Leite nos deixou em 1998 e desde então, dada a saudade, está cada vez mais presente. É desta forma que ele inicia seu livro: “Tão Acre é jamaxi de gargalhadas, varadouro de humor, jirau de ‘causos’, poronga de folclore, supupema de alegria, cuiapitinga de gaiatice, piracema de verve, varadouro de chiste, repiquete do jocoso, banzeiro do picaresco, tapiri da paremiologia, açude do riso antológico acreano na bubuia satírica, espirituosa e histriônica que sabe demais ao coração e gostosamente à alma de nossa gente sofrida e largada nos confins do extremo-oeste do Brasil”.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro do Zé, publicado pelo Tribunal de Justiça em parceria com o Sindicato, é impagável, leitura obrigatória para historiadores, estudantes, focas e dinossauros. É de rir do começo ao fim. Uma aula sobre os costumes, política, comunicação, cultura, presepâncias e tudo o mais do nosso Acre.</p>
<p style="text-align: justify;">Me diga, quem hoje em dia escreve assim?</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_473" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-473" title="image005" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image005.jpg" alt="Cartaz Soviético: “Beregi knigu. Ona vernyi tovarishch v pokhode i v mirnom trude”  (Cuide de seu livro. Ele é um verdadeiro companheiro, nas batalhas e na paz.) – 1917-1921" width="500" height="729" /><strong>Cartaz Soviético: “Beregi knigu. Ona vernyi tovarishch v pokhode i v mirnom trude”  (Cuide de seu livro. Ele é um verdadeiro companheiro, nas batalhas e na paz.) – 1917-1921</strong></dt>
</dl>
</div>
<p>Nestes dias fiquei sabendo que a produção de livros eletrônicos já supera a dos livros comuns no mundo (ai, ai, ai). É o livro se dissolvendo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E também que o Facebook cresce na velocidade de um vírus louco, colado ao twiter – esse voyeurismo consentido – que não só subtrai as palavras, mas igualmente a inteligência (tirante as óbvias, ululantes, repetitivas, mesmas, exceções).</p>
<p style="text-align: justify;">Aí, me danei a organizar alguns livros que eu não empresto nem para a minha sombra. E, maravilha: em grandes contêineres comprados no “nosso” Makro. Eles vão ficando lá, guardadinhos, limpinhos, herméticos. Muitos ainda  por serem desbravados. Alguns eu vou reler na velhice. Outros, somente para ficar olhando, para não gastar&#8230; E mais outros, só mesmo para fazer companhia, pros carinhos e cheiros.</p>
<p style="text-align: justify;">E, ao <em>gran finale</em>, obtive a satisfação de me deparar com velhos cartazes soviéticos de louvor aos livros, emulação socialista pura, que me fez estremecer com um tantinho de banzo.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem e então.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi quando a semana me trouxe o aviso: o fim da exposição, a palestra “Outro Mundo Possível”, as histórias, os livros&#8230; Todo esse varejo serviu para afinar os sentidos de que já estamos nos ruídos da batalha.</p>
<p style="text-align: justify;">Lá vamos nós outra vez, “com grandeza, constância e valor”, às lides eleitorais, “pra você vencer na vida” aqui e no planalto central do país.</p>
<p style="text-align: justify;">Nosso pé de jambo está nutrido.</p>
<p style="text-align: justify;">Como sempre, estamos preparados para içar a bandeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Vermelha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong></p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_474" class="wp-caption alignnone" style="width: 542px;">
<dt class="wp-caption-dt"><strong><img class="size-full wp-image-474" title="Marcos Afonso" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image008.jpg" alt="Marcos Afonso" width="532" height="389" /></strong><strong>Foto: </strong><strong>Marcos Afonso </strong></dt>
</dl>
</div>
<p></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><strong><strong></strong>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #800000;">DEDICO ESSE VARAL</span></strong><span style="color: #800000;"><strong> </strong>ao nosso amigo <strong>Tyryetê Kaxinawaá </strong>ou<strong> Jaime da Silva Araújo</strong>, que partiu esta semana (dia 23 de julho), no Paraná.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">Jaime foi o primeiro presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros, junto com Chico Mendes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">Ano passado, a convite da Biblioteca da Floresta e estimulado pelo jornalista Elson Martins, ele voltou ao Acre para reencontrar a sua história e sua floresta&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">Agora, Jaime embala seus átomos nas redes do Cosmos. Transformou-se em mais uma estrela na constelação dos nossos grandes lutadores&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-475" title="image010" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/08/image010.jpg" alt="image010" width="229" height="253" /></p>
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		<title>A CHUVA DO VINICIUS DE MORAES&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 06:05:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Acredita? Só choveu forte mesmo no centro de Rio Branco, na tarde da última sexta-feira. E nem pude saudar as águas que vieram apascentar esse calor tenebroso que vem nos ardendo ultimamente.
Eu estava no aconchegante e quase subterrâneo auditório da Biblioteca da Floresta, terminando uma oficina de 8 horas para um grupo atento de funcionários [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-459" title="image002" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/07/image002.jpg" alt="image002" width="475" height="356" /></p>
<p style="text-align: justify;">Acredita? Só choveu forte mesmo no centro de Rio Branco, na tarde da última sexta-feira. E nem pude saudar as águas que vieram apascentar esse calor tenebroso que vem nos ardendo ultimamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu estava no aconchegante e quase subterrâneo auditório da Biblioteca da Floresta, terminando uma oficina de 8 horas para um grupo atento de funcionários públicos, exatamente sobre o espaço e o tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">A Oficina é sobre ética e cultura e, logo no seu início, eu apresento um vídeo com a música “Rosa de Hiroshima”, para exemplificar um dos momentos mais críticos do antropocentrismo na história recente.</p>
<p style="text-align: justify;">“Rosa de Hiroshima” é um poema de Vinicius de Moraes.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1973, o grupo “Secos &amp; Molhados” lançou o poema musicado por Gerson Conrad e a voz de Ney Matogrosso a tornou imortal.  A canção é um grito pacifista e antinuclear, lançada em plena ditadura militar no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda semana passada, no Festival Chico Pop &#8211; no show do grupo cearense “Os Sonsos” – subiu ao palco o próprio Gerson Conrad que, improvisadamente, cantou sua “Rosa de Hiroshima”. Um silêncio emocionado tomou conta do Anfiteatro Jorge Nazareth. E eu, num dos degraus da arena, só pude mesmo baixar a cabeça e com os olhos cheios d’água,  agradecer aquele presente que a vida me ofertava.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem, a minha Oficina termina com outro poema de Vinicius de Moraes: “Poética I”, maravilhosamente declamado por Maria Bethânia para introduzir sua interpretação, igualmente maravilhosa, da música “Oração ao Tempo”, do irmão Caetano Veloso.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-460" title="image003" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/07/image003.jpg" alt="image003" width="479" height="360" /></p>
<p style="text-align: justify;">Por conta da chuva, a noite de sexta ficou morna e resolvemos jantar comida japonesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Eis que no restaurante encontramos nosso querido amigo jornalista e colunista Moisés Alencastro, ladeado pelas competentes Charlene Carvalho e Surama Chaul (com sua mãe).</p>
<p style="text-align: justify;">Conversamos sobre as redes sociais. Moisés, entusiasmado, tenta me convencer a entrar no twiter. “Não tenho tempo, Moisés&#8230;” “Mas Marcos, você iria sacudir&#8230; hoje mesmo, eu postei a data da morte do Vinicius de Moraes e a cidade toda ficou comentando&#8230;”</p>
<p style="text-align: justify;">Pronto.</p>
<p style="text-align: justify;">Sexta-feira, 9 de julho de 2010. Há 30 anos partia o poeta do Amor. E a conversa com o Moisés me inspirou a estender no Varal os dois poemas de Vinicius que apresento na Oficina “Ética e Cultura no Tempo e no Espaço”.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>ROSA DE HIROSHIMA</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;">(Vinicius de Moraes)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-461" title="image005" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/07/image0051.gif" alt="image005" width="490" height="366" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pensem nas crianças<br />
Mudas telepáticas<br />
Pensem nas meninas<br />
Cegas inexatas<br />
Pensem nas mulheres<br />
Rotas alteradas<br />
Pensem nas feridas<br />
Como rosas cálidas<br />
Mas, oh, não se esqueçam<br />
Da rosa da rosa<br />
Da rosa de Hiroshima<br />
A rosa hereditária<br />
A rosa radioativa<br />
Estúpida e inválida<br />
A rosa com cirrose<br />
A anti-rosa atômica<br />
Sem cor sem perfume<br />
Sem rosa sem nada</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-462" title="image007" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/07/image007.gif" alt="image007" width="484" height="362" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> VEJA NO YOUTUBE:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=9YJaaVAQ5lE&amp;feature=player_embedded">http://www.youtube.com/watch?v=9YJaaVAQ5lE&amp;feature=player_embedded</a></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-463" title="image009" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/07/image009.gif" alt="image009" width="505" height="378" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>De manhã escureço<br />
De dia tardo<br />
De tarde anoiteço<br />
De noite ardo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A oeste a morte<br />
Contra quem vivo<br />
Do sul cativo<br />
O este é meu norte.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Outros que contem<br />
Passo por passo:<br />
Eu morro ontem</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nasço amanhã<br />
Ando onde há espaço:<br />
– Meu tempo é quando.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-464" title="image011" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/07/image011.jpg" alt="image011" width="223" height="273" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>VISITE O SITE OFICIAL</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.viniciusdemoraes.com.br/">www.viniciusdemoraes.com.br</a></p>
<p align="center">
<p align="center">
<p align="center">
<p align="center">
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE BRASILEIRO E DA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS SAUDÁVEIS: NÃO AO SUBSTITUTIVO DO CÓDIGO FLORESTAL</title>
		<link>http://www.varaldeideias.com/1/?p=443</link>
		<comments>http://www.varaldeideias.com/1/?p=443#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 04:01:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[
NOTA: O Varal de Idéias estende hoje o manifesto em defesa do meio ambiente e da produção de alimentos contrário às mudanças propostas para o Código Florestal brasileiro, que devem ser votadas esta semana na Câmara dos Deputados. O documento, elaborado por movimentos sociais, sindicais e entidades ambientalistas, além de personalidades e intelectuais, foi divulgado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-445" title="image001" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/07/image001.png" alt="image001" width="474" height="225" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>NOTA:</strong></span><strong> </strong><span style="color: #800000;">O Varal de Idéias estende hoje o manifesto em defesa do meio ambiente e da produção de alimentos contrário às mudanças propostas para o <strong>Código Florestal brasileiro</strong>, que devem ser votadas esta semana na Câmara dos Deputados. O documento, elaborado por movimentos sociais, sindicais e entidades ambientalistas, além de personalidades e intelectuais, foi divulgado nesta sexta-feira (2/7), no site do Instituto Humanitas Unisinos: <a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php">www.ihu.unisinos.br/index.php</a></span></p>
<p style="text-align: justify;">O documento – assinado pela CUT, ABRA, MST, CPT, CIMI, Amigos da Terra Brasil, dezenas de fóruns e redes, além de personalidades e intelectuais como <strong>Leonardo Boff</strong>, <strong>D. Pedro Casaldáliga, José Arbex Júnior e Paulo Kageyama</strong> &#8211; aponta que o relatório deve atender apenas aos interesses dos ruralistas, pela ausência de um debate amplo sobre o tema.</p>
<p style="text-align: justify;">O manifesto afirma que o texto do Projeto de Lei é insatisfatório, privilegiando exclusivamente os desejos dos latifundiários. Dentre os principais pontos críticos do PL, cita-se: anistia completa a quem desmatou (em detrimento dos que cumpriram a Lei); a abolição da Reserva Legal para agricultura familiar (nunca reivindicado pelos agricultores/as visto que produzem alimentos para todo o país sem a necessidade de destruição do entorno) possibilidade de compensação desta Reserva fora da região ou da bacia hidrográfica; a transferência do arbítrio ambiental para os Estados e Municípios, para citar algumas”, destacam os signatários.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Confira, abaixo, a íntegra do documento.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong>“O Código Florestal (Lei nº. 4.771, de 15 de setembro de 1965) está baseado em uma série de princípios que respondem às principais preocupações no que tange ao uso sustentável do meio ambiente. Apesar disso, entidades populares, agrárias, sindicais e ambientalistas, admitem a concreta necessidade de aperfeiçoamento do Código criando regulamentações que possibilitem atender às especificidades da agricultura familiar e camponesa, reconhecidamente provedoras da maior parte dos alimentos produzidos no país. <strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">É essencial a implementação de uma série de políticas públicas de fomento, crédito, assistência técnica, agro industrialização, comercialização, dentre outras, que garantirão o uso sustentável das áreas de reserva legal e proteção permanente. O Censo Agropecuário de 2006 não deixa dúvidas quanto à capacidade de maior cobertura florestal e preservação do meio ambiente nas produções da agricultura familiar e camponesa, o que só reforça a necessidade de regulamentação específica.</p>
<p style="text-align: justify;">Essas políticas públicas vinham sendo construídas entre os movimentos e o Governo Federal a partir do primeiro semestre de 2009, desde então os movimentos aguardam a efetivação dos Decretos Reguladores para a AF que nos diferenciam do agronegócio.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi criada na Câmara dos Deputados uma Comissão Especial, para analisar o Projeto de Lei nº. 1876/99 e outras propostas de mudanças no Código Florestal e na Legislação Ambiental brasileira.  No dia 09 de junho de 2010, o Dep. Federal <strong>Aldo Rebelo</strong> (PCdoB/SP) apresentou à referida Comissão um relatório que continha uma proposta de substituição do Código Florestal.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos afirmar que o texto do Projeto de Lei é insatisfatório, privilegiando exclusivamente os desejos dos latifundiários. Dentre os principais pontos críticos do PL, podemos citar: anistia completa a quem desmatou (em detrimento dos que cumpriram a Lei); a abolição da Reserva Legal para agricultura familiar (nunca reivindicado pelos agricultores/as visto que produzem alimentos para todo o país sem a necessidade de destruição do entorno) possibilidade de compensação desta Reserva fora da região ou da bacia hidrográfica; a transferência do arbítrio ambiental para os Estados e Municípios, para citar algumas.</p>
<p style="text-align: justify;">Estas mudanças, no entanto, são muito distintas das propostas no Projeto de Lei (PL). Nos cabe atentar para o fato de que segundo cálculos de entidades da área ambiental, a aplicação delas resultará na emissão entre 25 a 30 bilhões de toneladas de gás carbônico só na Amazônia. Isso ampliaria em torno de seis vezes a redução estimada de emissões por desmatamento que o Brasil estabeleceu como meta durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (<strong>COP 15</strong>) em Copenhague, em dezembro de 2009 e transformada em Lei (Política Nacional de Mudança do Clima) 12.187/2009.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com o substitutivo, a responsabilidade de regulamentação ambiental passará para os estados. É fundamental entendermos que os biomas e rios não estão restritos aos limites de um ou dois estados, portanto, não é possível pensar em leis estaduais distintas capazes de garantir a preservação dos mesmos. Por outro lado, esta estadualização representa, na prática, uma flexibilização da legislação, pois segundo o próprio texto, há a possibilidade de redução das áreas de Preservação Permanentes em até a metade se o estado assim o entender.</p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_446" class="wp-caption alignnone" style="width: 487px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: justify;"><img class="size-full wp-image-446" title="ESSES QUADRINHOS DO MAURÍCIO DE SOUZA COM A TURMA DA MÔNICA CHAMARAM A ATENÇÃO DO PAÍS INTEIRO SOBRE O MESMO TEMA EM 2000. EU ERA DEPUTADO FEDERAL E COM A MARINA SILVA E O GABEIRA, FIZEMOS PARTE DESSA MESMA COMISSÃO. COM O APOIO DO POVO BRASILEIRO, FOMOS VITORIOSOS! " src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/07/image003.png" alt="image003" width="477" height="230" /><strong>ESSES QUADRINHOS DO MAURÍCIO DE SOUZA COM A TURMA DA MÔNICA CHAMARAM A ATENÇÃO DO PAÍS INTEIRO SOBRE O MESMO TEMA EM 2000. EU ERA DEPUTADO FEDERAL E COM A MARINA SILVA E O GABEIRA, FIZEMOS PARTE DESSA MESMA COMISSÃO. COM O APOIO DO POVO BRASILEIRO, FOMOS VITORIOSOS! </strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">O Projeto acaba por anistiar todos os produtores rurais que cometeram crimes ambientais até 22 de julho de 2008. Os que descumpriram o Código Florestal terão cinco (5) anos para se ajustar à nova legislação, sendo que não poderão ser multados neste período de moratória e ficam também cancelados embargos e termos de compromisso assinados por produtores rurais por derrubadas ilegais. A recuperação dessas áreas deverá ser feita no longínquo prazo de 30 anos. Surpreendentemente, o Projeto premia a quem descumpriu a legislação.</p>
<p style="text-align: justify;">O Projeto desobriga a manutenção de Reserva Legal para propriedades até quatro (4) módulos fiscais, as quais representam em torno de 90% dos imóveis rurais no Brasil. Essa isenção significa, por exemplo, que imóveis de até 400 hectares podem ser totalmente desmatados na Amazônia – já que cada módulo fiscal tem 100 hectares na região –, o que poderá representar o desmatamento de aproximadamente 85 milhões de hectares.</p>
<p style="text-align: justify;">A Constituição Federal estabeleceu a Reserva Legal a partir do princípio de que florestas, o meio ambiente e o patrimônio genético são interesses difusos, pertencentes ao mesmo tempo a todos e a cada cidadão brasileiro indistintamente. É essencial ter claro que nenhum movimento social do campo apresentou como proposta a abolição da RL, sempre discutindo sobre a redução de seu tamanho (percentagem da área total, principalmente na Amazônia) ou sobre formas sustentáveis de exploração e sistemas simplificados de autorização para essa atividade.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda sobre a Reserva Legal, o texto estabelece que, nos casos em que a mesma deve ser mantida, a compensação poderá ser feita fora da região ou bacia hidrográfica. É necessário que estabeleçamos um critério para a recomposição da área impedindo que a supressão de vegetação nativa possa ser compensada, por exemplo, por monoculturas de eucaliptos, pinus, ou qualquer outra espécie, descaracterizando o bioma e empobrecendo a biodiversidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O Projeto de Lei traz ainda a isenção em respeitar o mínimo florestal por propriedade, destruindo a possibilidade de desapropriação daquelas propriedades que não cumprem a sua função ambiental ou sócio-ambiental, conforme preceitua a Constituição Federal em seu art. 186, II.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um momento onde toda a humanidade está consciente da crise ambiental planetária e lutando por mudanças concretas na postura dos países, onde o próprio Brasil assume uma posição de defesa do desenvolvimento sustentável, é inadmissível que retrocedamos em um assunto de responsabilidade global, como a sustentabilidade ambiental.</p>
<p style="text-align: justify;">O relatório apresentado pelo deputado <strong>Aldo Rebelo</strong> contradiz com sua história de engajamento e dedicação às questões de interesse da sociedade brasileira. Ao defender um falso nacionalismo, o senhor deputado entrega as florestas brasileiras aos latifundiários e à expansão desenfreada do agronegócio.</p>
<p style="text-align: justify;">Sua postura em defesa do agronegócio é percebida a partir do termo adotado no relatório: Produtor Rural. Essa, mais uma tentativa de desconstrução do conceito de agricultura familiar ou campesina, acumulado pelos movimentos e que trás consigo uma enorme luta política dos agricultores e agricultoras familiares.</p>
<p style="text-align: justify;">Por tudo isso, nós, organizações sociais abaixo-assinadas, exigimos que os assuntos abordados venham a ser amplamente discutidos com o conjunto da sociedade. E cobramos o adiamento da votação até que este necessário debate ocorra e que o relatório do deputado absorva as alterações mencionadas no corpo do texto”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-447" title="image005" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/07/image005.gif" alt="image005" width="128" height="128" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>VEJA AQUI AS ENTIDADES E PERSONALIDADES QUE ASSINAM O MANIFESTO:</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=33981">http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&amp;Itemid=18&amp;task=detalhe&amp;id=33981</a></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A PILAR DE SARAMAGO&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jun 2010 04:54:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
“NOSSA ÚNICA DEFESA 
CONTRA A MORTE É O AMOR”
(José Saramago)
Todos os relógios na casa de Saramago em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, marcam 4 horas da tarde.
Foi o momento em que ele viu pela primeira vez a jornalista sevilhana María del Pilar del Río Sánchez, o grande amor da sua vida, em 1986.
Juntaram-se em 87 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-418" title="image001" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/06/image001.jpg" alt="image001" width="358" height="500" /><span style="color: #800000;"><strong> </strong></span></p>
<h2><span style="color: #800000;"><strong>“NOSSA ÚNICA DEFESA </strong></span></h2>
<h2><span style="color: #800000;"><strong>CONTRA A MORTE É O AMOR”</strong></span></h2>
<p><span style="color: #800000;">(José Saramago)</span></p>
<p style="text-align: justify;">Todos os relógios na casa de Saramago em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, marcam 4 horas da tarde.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi o momento em que ele viu pela primeira vez a jornalista sevilhana María del Pilar del Río Sánchez, o grande amor da sua vida, em 1986.</p>
<p style="text-align: justify;">Juntaram-se em 87 e casaram-se em 88.</p>
<p style="text-align: justify;">Vinte anos depois, aos 84 anos, o escritor resolveu se casar pela segunda vez com a mesma Pilar – agora com 56 anos e sua tradutora para o espanhol &#8211; numa cerimônia civil em Castril, nos arredores de Granada, na Espanha, terra da companheira.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-420" title="Untitled-2" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/06/Untitled-2.jpg" alt="Untitled-2" width="509" height="460" /></p>
<p style="text-align: justify;">A história de amor do casal foi inspirada pelo livro “<em>O</em> <em>Memorial do Convento”</em>. Pilar se apaixonou primeiro por Blimunda, personagem central do romance. Também jornalista, viajou até Lisboa para entrevistar o autor. Nunca mais se separaram.</p>
<p style="text-align: justify;">Pilar descreve o início do romance nesta entrevista dada em outubro de 1998, à “Público”:</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-421" title="image005" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/06/image005.jpg" alt="image005" width="187" height="181" /> <img class="alignnone size-full wp-image-422" title="image007" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/06/image007.jpg" alt="image007" width="272" height="181" /></p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Vi um livro chamado “<a href="http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/saramago/mem_mc1.html"><em>O Memorial do Convento</em></a>”, e achei curioso o título. Li uma página, li o arranque, comprei, fui para casa e devorei-o.</p>
<p style="text-align: justify;">“Regressei à livraria de Sevilha e comprei todos os Saramagos traduzidos. Quando acabei de ler “<a href="http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/saramago/ano_ric1.html"><em>O Ano da Morte de Ricardo Reis</em></a>” foi uma comoção muito forte e decidi fazer o que não tinha feito nunca, senti a necessidade de seguir aquele itinerário lisboeta, senti que tinha a obrigação moral de dizer a José Saramago o que tinha experimentado com a obra. Um autor só acaba a sua obra quando o livro é lido e entendido. E eu queria dizer-lhe: completou-se o ciclo, li-o e entendi-o então, vim com o meu livro e com “<em>O Livro do Desassossego”</em> do Pessoa. Aterrei na Portela com o número de telefone de Saramago no bolso.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-423" title="image009" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/06/image009.jpg" alt="image009" width="506" height="313" /></p>
<p style="text-align: justify;">“Naquela tarde de 1986, Saramago ainda estava suficientemente disponível para ser ele a ir ter comigo, a jornalista espanhola que lhe telefonou, entusiasmada. Aí vai ele a caminho do hotel Mundial, imprevidente, sem saber o que pode resultar de &#8220;tomar um café&#8221;. Eu estava no quarto, desci, saí do elevador e vi um senhor alto&#8230; não sei por que tinha imaginado um homem baixo&#8230; apertamos as mãos, apanhamos um táxi, fomos ao cemitério dos Prazeres, ao túmulo de Pessoa, lemos um fragmento de Pessoa, voltamos ao hotel num táxi e despedimo-nos à porta, com um aperto de mãos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-424" title="3" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/06/3.jpg" alt="3" width="510" height="461" /></p>
<p style="text-align: justify;">“Não foi apenas isto, foi também o encontro entre dois marxistas convictos. Falamos de política, do que se passava na Europa, e demo-nos conta de que estávamos no mesmo sítio, que os dois éramos marxistas, os dois éramos comunistas e aos dois nos interessava literatura. “Voltei para casa ‘com uma estranha paz’”.<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-425" title="image012" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/06/image012.jpg" alt="image012" width="509" height="316" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em três de Junho de 2008 celebrou-se aquele que o escritor considerou o “terceiro casamento”, quando o Pilar del Rio passou a ser nome de rua em Azinhaga, fazendo esquina precisamente com a rua Saramago. A musa do autor tornava-se, também “filha adotiva” da terra-natal do seu amado.</p>
<p style="text-align: justify;">Na esquina das ruas está uma placa, de azulejos, com orla em tons de amarelo, exibindo o nome de Pilar del Rio seguido da citação constante no livro Pequenas Memórias: “A Pilar que ainda não havia nascido e tanto tardou a chegar”. Pilar, que recebeu uma réplica da placa toponímica, desejou que “todos os enamorados do Mundo se encontrem e dêem um beijo nesta esquina”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-426" title="image013" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/06/image013.jpg" alt="image013" width="354" height="236" /></p>
<p style="text-align: justify;">Uma declaração de José Saramago ao “New York Times”, numa entrevista à jornalista Fernanda Eberstadt, resumiu a relação forte que desenvolveu com sua mulher:</p>
<p style="text-align: justify;">- “Se eu tivesse morrido antes de te conhecer, Pilar, teria morrido sentindo-me muito mais velho. Aos 63 anos, a minha segunda vida começou. Não posso queixar-me. As coisas que você considera importantes não são tão importantes. Eu ganhei um Prêmio Nobel. E daí?</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-427" title="4" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/06/4.jpg" alt="4" width="518" height="417" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>“Não temo a morte. O pior da morte – isso sim dói – é que a pessoa estava e de repente deixou de estar, se acabou. Creio que a esperarei muito pacificamente, tenho consciência de que a vida não pode ser muito mais longa. Terei mais três ou quatro anos, talvez menos, mas não há problema”.</strong> (Ópera Mundo, junho de 2009)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>“Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idéias, não vamos a parte nenhuma”.</strong> (Último post do site <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://caderno.josesaramago.org/"><span style="text-decoration: underline;">http://caderno.josesaramago.org</span></a></span>).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-428" title="image017" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/06/image017.jpg" alt="image017" width="241" height="176" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>JOSÉ SARAMAGO (1922 – 2010)</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>NÃO SEJA IMPARCIAL, SEJA HONESTO&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 30 May 2010 02:44:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[

Richard Avedon (1923-2004)


Comandante Elson Martins mandou-me agora sentar praça na cavalaria do jornalismo cultural e já foi passando a Ordem do Dia, prontamente aceita por este soldado.
Fernanda, a simpática filha do Escócio, amarrou sua canoa e subiu os barrancos da Biblioteca da Floresta em busca de palestrante para a disciplina de Redação Jornalística, pilotada pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_368" class="wp-caption alignnone" style="width: 475px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: right;"><img class="size-full wp-image-368" title="Richard Avedon (1923-2004)" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image001.png" alt="Richard Avedon (1923-2004)" width="465" height="318" /><strong>Richard Avedon (1923-2004)</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Comandante Elson Martins mandou-me agora sentar praça na cavalaria do jornalismo cultural e já foi passando a Ordem do Dia, prontamente aceita por este soldado.</p>
<p style="text-align: justify;">Fernanda, a simpática filha do Escócio, amarrou sua canoa e subiu os barrancos da Biblioteca da Floresta em busca de palestrante para a disciplina de Redação Jornalística, pilotada pela professora Juliana Losego, lá no “Campus Espacial” (o da velha canção do Beto Brasiliense).</p>
<p style="text-align: justify;">Compadre Elson, elegante adversário das falas, imediatamente me telefonou: “Olha, o jornalista cultural é você, socorra as meninas!”. Ponto final. Ordem dada.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou pronto.</p>
<p style="text-align: justify;">Para tanto, empunhei uma “foto-palestra” carregada com dezenas de slides e algumas músicas para arrematar – bem exagerado, bom poder de fogo &#8211; e talvez essa semana já possa ir ao Campus de batalha. Estou mais entrosado com o teatro de operações, tendo em vista que já dei essa palestra ano passado no mesmo curso de Comunicação da UFAC, na turma da Veriana, filha do Toinho (estamos mesmo ficando velhos!!).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-374" title="image004" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0041.jpg" alt="image004" width="248" height="198" /> <img class="alignnone size-full wp-image-375" title="image005" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image005.gif" alt="image005" width="194" height="197" /></p>
<p style="text-align: justify;">Mas, vamos ao sério.</p>
<p style="text-align: justify;">Irei começar pelo óbvio ululante: para ser jornalista deve-se ter adquirido &#8211; de preferência na tenra idade &#8211; a mania de escrever. Materializar os fatos na linguagem, na descrição e no registro. Isso vem de longe, mas ganhou força no Renascentismo, quando começamos a escanear com os olhos e escrever as novas luminosidades que fluíam pela humanidade &#8211; ao menos nas cabeças mais afeitas à combustão &#8211; com novas tecnologias e ampliação da divulgação dos conhecimentos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-380" title="image007" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0072.jpg" alt="image007" width="252" height="197" /> <img class="alignnone size-full wp-image-381" title="image009" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0093.jpg" alt="image009" width="185" height="197" /></p>
<p style="text-align: justify;">Todos nós somos um livro aberto e quando escrevemos, temos uma posição socratiniana: mostramos o que conhecemos de nós mesmos e como vemos o mundo e a “notícia factual”, na expressão de Mino Carta. Parafraseando o pensador francês Jean Juarès, “não se escreve o que se sabe, mas também e, sobretudo, o que se é”.</p>
<p style="text-align: justify;">E é aqui que vem a gênese da Ética.</p>
<p style="text-align: justify;">Como tratar, no ato de escrever, as invejas, os individualismos e as vaidades? Como assegurar nossa identidade &#8211; sem as máscaras &#8211; e resistir aos Ctrl C e Ctrl V do oráculo Google? O que fazer quando se deve diferenciar mito de evidência? Tudo, para que não nos transformemos em estáticos muros ou não nos percamos em desertos?</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-387" title="image010" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0101.jpg" alt="image010" width="471" height="651" /></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, mesmo com a bagunça climática, devemos ver o mundo com suas diversas estações, porque entre o verão e o outono milhões de paisagens acontecem. Especialmente agora com a Internet.</p>
<p style="text-align: justify;">Em um curtíssimo espaço histórico (50, 70 anos não são nada) saímos da linotipo e da Corona para a longa estrada da internet. O próprio substantivo Navegação toma outros sentidos. Uma garota na praia pode mandar uma foto do notebook para o twiter do namorado que está lá no alto, em seu parapente, enquanto um avião é visto além das montanhas que encobrem um céu lotado de satélites e na linha azul do horizonte, um preguiçoso cargueiro faz a sua rota no mar&#8230;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-399" title="1" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/1.gif" alt="1" width="475" height="221" /></p>
<p style="text-align: justify;">É muita evolução. Muita máquina. Pouca paixão, muito dinheiro. Rápidas construções de ícones (como se eles não envelhecessem), farto fundamentalismo, futilidades, entretenimento vulgar e pseudo-cultura. O Fradim do Henfil deve estar mandando “Top! Top! Tops” celestiais para a balbúrdia&#8230; risos &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Então. Como fazer a soma compromisso + preservação + promoção da ética nessas manipuladas realidades?</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro: não cair no desespero. Lembro bem do nosso Chico Pop que, com descontração, arte e muita criação, registrou e inflamou o traço cultural acreano em plena ditadura militar. O Chico Pop “vivia” as fontes, ele “era” a fonte. Hoje, por exemplo: qual jornalista pegou um ônibus de linha (carro da redação não vale) para Xapuri, parou no Entroncamento, fez frete numa Toyota ou regateou com um motoqueiro para ir até o Seringal Cachoeira entrevistar a família da Dona Cecília Mendes que cuida do programa Arca da Leitura em plena floresta, distribuindo Machado de Assis, Drummond, Monteiro Lobato e até Shakespeare às crianças? (não copiem, já estou preparando a matéria&#8230; olhem lá!).</p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_401" class="wp-caption alignnone" style="width: 484px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-401" title="Seringal Cachoeira, Xapuri: família de Dona Cecília (tia do Chico Mendes)  distribui Machado de Assis e Shakespeare às crianças, no programa Arca das Letras..." src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/21.jpg" alt="2" width="474" height="692" /><strong>Seringal Cachoeira, Xapuri: família de Dona Cecília (tia do Chico Mendes)  distribui Machado de Assis e Shakespeare às crianças, no programa Arca das Letras&#8230;</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Segundo: deve-se estudar, se informar com a filtragem necessária, ter  autonomia, participar de congressos, encontros e ler, ler, ler&#8230; (e se  você não achar que é muita besteira, tente aprender a tocar um  instrumento). E alimente sempre a capacidade de se admirar com as  coisas, com o mundo e com as pessoas (para que Platão &#8211; contentemente  emocionado &#8211; se debulhe em lágrimas, como escreve minha querida  colunista Roberta Lima!)&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Contudo e por fim, o futuro do jornalismo é chateadamente incerto (especialmente o impresso). Acabará o jornal? SIM! Mas continuará de outra forma, como o teatro, que se adaptou frente ao cinema e à TV. De certa forma, parece que o jornalismo está atônito. Tudo pode e deve mudar, melhor: se transformar.</p>
<p style="text-align: justify;">Acabo de participar do II Congresso de Jornalismo Cultural realizado na PUC de São Paulo, promovido pela revista Cult. Digo sem arrogância e desilusão: a única palavra que me vem à mente quando comparo este congresso ao do ano passado é: REPETIÇÃO.</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos repetindo, repetindo, porque procuramos saídas. E isso é bom. Em algum momento, um conjunto, um acúmulo de análises e experiências, apresentará o início de outro processo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-404" title="image019" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0191.jpg" alt="image019" width="181" height="194" /> <img class="alignnone size-full wp-image-405" title="image021" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0211.jpg" alt="image021" width="276" height="194" /></p>
<p style="text-align: justify;">Quando? Quem se arrisca?</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nem tudo está perdido ou achado.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo no nevoeiro, “tempestades, raios e trovões” (na pena de Castro Alves), não devemos esquecer o sentimento maior de todas as existências: preservar e promover a Ética.</p>
<p style="text-align: justify;">E aí me vem novamente outra síntese genial, daquelas que servem para calar as bobagens de jornalismo “isento”, “eqüidistante”, etecétera e tal: &#8211; “No jornalismo não há imparcialidade, há honestidade”, tinia nas teclas o francês Éduard Bailby.</p>
<p style="text-align: justify;">E o melhor da coisa: lembrar sempre o velho Platão e seu Mito.</p>
<p style="text-align: justify;">O fundo da Caverna pode estar na sua sala.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou na sua redação.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>SAINDO DA ESTRADA&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 16 May 2010 04:36:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Resolvi pegar um táxi na minha última noite em são Paulo. Saía do Reserva Cultural, um subterrâneo com restaurantes, livraria e quatro boas salas de cinema, na suntuosa Avenida Paulista. Tinha acabado de ver o “assistível” Soul Kitchen, comédia alemã, de Fatih Akin, uma massa com molho pouco denso de suposta crítica cult &#8211; gastronômica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-339" title="image001" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0011.jpg" alt="image001" width="463" height="692" /></p>
<p style="text-align: justify;">Resolvi pegar um táxi na minha última noite em são Paulo. Saía do Reserva Cultural, um subterrâneo com restaurantes, livraria e quatro boas salas de cinema, na suntuosa Avenida Paulista. Tinha acabado de ver o “assistível” Soul Kitchen, comédia alemã, de Fatih Akin, uma massa com molho pouco denso de suposta crítica cult &#8211; gastronômica ao capitalismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Dentro do táxi, volto a pensar na similaridade das sirenes que nunca param. É quando São Paulo vira Nova York, nas noites em que todos são pardos. Da Paulista para a Ipiranga, sou guiado pelo motorista João Meneses, que orgulhosamente não para de apertar, teclar, mudar, o negócio colorido logo atrás do volante. Pergunto. “É um GPS!” “O senhor é de onde? Acre? Me dê seu endereço de Rio Branco agora. Um instantinho&#8230;” E o carro ziguezagueando. “Só mais um pouco, assim&#8230; Veja: o senhor está a 3.772  quilômetros longe da sua casa! Isso é certíssimo, coisas de chineses, 200 reais!”.</p>
<p style="text-align: justify;">Com todas essas medições globais, onlineais, chego salvo ao hotel e preparado para arrumar malas e juntar as muitas saudades que foram se acumulando.</p>
<p style="text-align: justify;">É quando me identifico com o filme “A Estrada”, de John Hillcoat, baseado na obra do fabuloso escritor norte-americano Cormac McCarthy, que já venho lendo há certo tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">O filme é uma metáfora. A busca do outro, do coletivo cultural, da persistência em enfrentar o inóspito para assegurar identidades.          Com uma fotografia maravilhosamente cinza (de Javier Aguirresarobe), “A Estrada” te conduz lentamente à reflexão, aos sintomas dos extremos, às singelezas dos descampados da alma humana, onde a “segurança” pode estar aqui, ali, ou no inimaginável (quem for assistir, atente para o papel do cachorro, por exemplo, sem querer estragar).</p>
<p style="text-align: justify;">Então, percebi que já estava na hora de sair da estrada e voar para a minha aldeia.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-340" title="image004" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image004.jpg" alt="image004" width="236" height="309" /> <img class="alignnone size-full wp-image-341" title="image005" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image005.jpg" alt="image005" width="220" height="309" /></p>
<p style="text-align: justify;">Essa coisa de regresso começou a bater forte quando assisti o Documentário “Depois de Ontem, Antes de Amanhã”, de Christine Liu, sobre o cotidiano no pobre vilarejo de Araçoiaba, perto de Recife, ou seja: no Brasil real. Sentei-me confartabilissimamente na poltrona asséptica do Cine Bombril, às 13h10, em  plena Avenida Paulista com, com mais&#8230; quatro pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas antes, prazerosamente, tinha de fazer um programa agora comum nas minhas viagens: ir aos mercados.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-342" title="image007" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0071.jpg" alt="image007" width="292" height="222" /> <img class="alignnone size-full wp-image-343" title="image009" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0092.jpg" alt="image009" width="162" height="223" /></p>
<p style="text-align: justify;">Comecei com o maior templo deles: o belíssimo Mercado Municipal.</p>
<p style="text-align: justify;">Nele o mundo se condensa. É um oásis onde camelos de todos os pontos cardeais trazem especiarias, grãos, temperos, corantes, frutos secos, queijos, azeites, carnes d’além mares, azeitonas, picles, cocadas, fondue de chocolate com frutas frescas, pastéis de bacalhau, cerveja, vinhos&#8230; Uma orgia gastronômica! E um shopping Center de verdadeira utilidade, já que sem a boa e velha comida, ninguém vive.</p>
<p style="text-align: justify;">E o Mercadão tem sua vizinhança febril, liderada pela Rua 25 de Março, com suas roupas, calçados, bugigangas, cacarecos, esquisitices que piscam-piscam e&#8230; seus tesouros, como o simpático “Empório Akkar”, com a bandeira do Líbano servido de toldo (e proteção).</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-344" title="image011" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0111.jpg" alt="image011" width="219" height="319" /> <img class="alignnone size-full wp-image-345" title="image013" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0131.jpg" alt="image013" width="240" height="319" /></p>
<p style="text-align: justify;">O “Empório Akkar” iniciou sua história em 1906, quando o imigrante libanês Abib Nasser montou sua fábrica na 25 de Março. Hoje é o neto Abílio Nasser, 63 anos, que comanda a distribuição das 60 cestas de iguarias árabes por dia, que rendem mais de quatro mil doces por mês. Entrar no Empório é como estar num cantinho do Líbano, fazendo parte também da política. Não é à toa que seu Abílio ostenta camisetas do Hesbollah, adesivos da Palestina, além de várias fotos do Che Guevara na loja. “Quando eu estudava Direito na São Francisco, eu lutei contra a ditadura e o Che era nosso ícone e continua sendo”, diz com firmeza, lamentando apenas o fato de muita gente “usar a camisa dele sem conhecer a sua essência”. As lutas são antigas, mas a loja está na internet: <a href="http://www.emporioakkar.com.br/">www.emporioakkar.com.br</a></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-346" title="image015" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image015.jpg" alt="image015" width="228" height="301" /> <img class="alignnone size-full wp-image-347" title="image017" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image017.jpg" alt="image017" width="230" height="301" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>ACIMA: Entrada e salão da Livraria Cultura&#8230;                                                                      ABAIXO: Interior da Livraria Calil Antiquária, o sebo mais antigo de São Paulo&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-348" title="image019" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image019.jpg" alt="image019" width="465" height="350" /></p>
<p style="text-align: justify;">Livro também é mercado. E arena vibrante de idéias, plataformas, tecnologias. Num diálogo entre a tradição e a modernidade, todos nós cultuamos uma boa e sofisticada Livraria Cultura na Avenida Paulista e, também, um elegantíssimo e fino espaço no 9º. Andar do Edifício Itá, 88, na Rua Barão de Itapetininga: a “Livraria Calil Antiquária Ltda” &#8211; <a href="http://www.livrariacalil.com.br/">www.livrariacalil.com.br</a> &#8211; o sebo mais antigo da cidade de São Paulo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-349" title="image021" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image021.jpg" alt="image021" width="223" height="298" /> <img class="alignnone size-full wp-image-350" title="image023" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image023.jpg" alt="image023" width="232" height="297" /></p>
<p style="text-align: justify;">Antes de finalizar, valem dois registros: ter conhecido na calçada da PUC o camelô dos filmes piratas de Arte, o Paryat (“mensageiro”, em Tupi), 54 anos e 39 de ayahuasca, admirador de Mestre Irineu, por louvar no seu hinário “a natureza, os passarinhos e as árvores”. Também internauta &#8211; <a href="http://www.paryat.com.br/">www.paryat.com.br</a> – se acostumou a fugir da polícia. “Corro, mas com arte!”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-351" title="image025" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image025.jpg" alt="image025" width="251" height="171" /> <img class="alignnone size-full wp-image-352" title="image027" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image027.jpg" alt="image027" width="200" height="170" /></p>
<p style="text-align: justify;">E depois, especialmente, ter conhecido a jornalista Rosane Pavam, editora de cultura da revista Carta Capital – <a href="http://www.cartacapital.com.br/">www.cartacapital.com.br</a> &#8211; para mim uma das maiores referências do jornalismo cultural brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, é isso. Agora é pegar um bom livro e um café, que ninguém é de ferro, com baunilha, leite, uma pitada de noz moscada e outra de canela&#8230; Estão servidos?</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-353" title="image028" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image028.jpg" alt="image028" width="465" height="618" /></p>
<p style="text-align: justify;">___________________________________________________________________</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>FOTOS DOS CARTAZES DE FILME E MESTRE IRINEU</strong></span><strong><span style="color: #800000;">:</span> INTERNET </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>ROSANE PAVAM</strong></span><strong><span style="color: #993300;"><span style="color: #800000;">:</span> </span>DAMIÃO FRANCISCO</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>AS DEMAIS</strong></span><strong><span style="color: #800000;">:</span> MARCOS AFONSO</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O ÍNDIO DO ROCK…</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 06:15:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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Fotos: Marcos Afonso


Armei minha tenda no cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João. Estou procurando entender esta esquina, vendo “a deselegância discreta de suas meninas&#8230;” enquanto tomo o café no hotel, que é protegido por uma gasta bandeira de Portugal.
Com a licença de São Paulo, passo boa parte dos dias em Perdizes, o bairro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong></p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_328" class="wp-caption alignnone" style="width: 490px;">
<dt class="wp-caption-dt" style="text-align: right;"><strong><img class="size-full wp-image-328" title="image001" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image001.jpg" alt="Fotos: Marcos Afonso" width="480" height="640" /></strong><strong>Fotos: Marcos Afonso</strong></dt>
</dl>
</div>
<p></strong>Armei minha tenda no cruzamento da Ipiranga com a Avenida São João. Estou procurando entender esta esquina, vendo “a deselegância discreta de suas meninas&#8230;” enquanto tomo o café no hotel, que é protegido por uma gasta bandeira de Portugal.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a licença de São Paulo, passo boa parte dos dias em Perdizes, o bairro das colinas verdejantes, sentindo manhãs frias, tardes quentes e noites sufocantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou participando do II Congresso de Jornalismo Cultural, no lendário TUCA, teatro da PUC, que debulhou no seu palco Chico Buarque, Gil, Caetano, Vinícius e Toquinho. Templo de resistência contra a ditadura militar e hoje patrimônio da cultura e da liberdade em nosso país.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_299" class="wp-caption alignnone" style="width: 512px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-299" title="Teatro da PUC, onde participo do II Congresso de Jornalismo Cultural..." src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/2.jpg" alt="Teatro da PUC, onde participo do II Congresso de Jornalismo Cultural..." width="502" height="189" /><strong>Teatro da PUC, onde participo do II Congresso de Jornalismo Cultural&#8230;</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Mas, aqui e ali, vou arrumando tempo para outras coisas. Conhecer meus arredores, por exemplo.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste centro velho da cidade, me deparo com todas as contradições.</p>
<p style="text-align: justify;">Socorrido por seu Juca Honorato, mineiro de 66 anos, quarenta como recepcionista no hotel, vou escaneando a vizinhança da minha tenda. Lá estão o Bar Brahma aberto desde 1948, o poderoso Citibank, a Praça da República, o Teatro Municipal (em reforma), a Prefeitura (1939) e o Viaduto do Chá, erguido em 1887. Também na minha frente descansa o velho Cine Marabá, reformadíssimo. E na minha esquerda e direita – respectivamente &#8211; ancoram-se duas majestades do fast food: o McDonald’s e o Habbibs, rara zona de paz árabe-americana. E também, pela primeira vez após dezenas de viagens, consegui ver as montanhas azuis de São Paulo, lá no nordeste, só avistáveis acima dos vinte andares.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_302" class="wp-caption alignnone" style="width: 502px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-302" title="image007" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image007.jpg" alt="Galeria do Rock: 25 mil pessoas por dia  no templo e palco das músicas e liberdades..." width="492" height="657" /><strong> Galeria do Rock: 25 mil pessoas por dia  no templo e palco das músicas e liberdades&#8230;</strong></dt>
</dl>
</div>
<p>Porém, uma das surpresas estava num dos túneis comerciais que liga a Rua 24 de Maio com a Avenida São João, dando no Largo do Paissandu, onde está a Igreja dos Negros: a lendária Galeria do Rock, com suas mais de 400 lojas. É lá que acampa o seu Grande Chefe, o neto de Don Pedro Benitez e Juana Paula, Tupis &#8211; Guarany de terras paraguaias, o descolado intelectual do folk-blues-jazz-rockprogressivo no Brasil: o Índio Blues!</p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_311" class="wp-caption alignnone" style="width: 490px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-311" title="image009" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image0091.jpg" alt="Índio Blues: amigo de Santana, dos Iron Maiden, do baixista Roger Glover (Deep Purple). Além de Eric Burdon, Lavelli White (bluseira americana), do trompetista de jazz Freddie Hubbard e do John Mayall’s – pai do blues inglês." width="480" height="640" /><strong>Índio Blues: amigo de Santana, dos Iron Maiden, do baixista Roger Glover (Deep Purple). Além de Eric Burdon, Lavelli White (bluseira americana), do trompetista de jazz Freddie Hubbard e do John Mayall’s – pai do blues inglês.</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">O curitibano Ademildo Canteiro, 58 anos, casado quatro vezes, três filhos, quatro netos, tornou-se cria do rock em 1966, batizado pelos Beatles e Rolling Stones, “foi quando iniciei meu caminho, de mãos dadas com a música”.</p>
<p style="text-align: justify;">A partir daí, Índio Blues deu início à carreira de DJ (“que foi um rastilho de pólvora”), pilotando nada mais nada menos que os salões do Hi-Fi, Hippopotamus, Vitória Pub e o Latitude 2001, “o finado barcão da Avenida 23 de Maio”, nas palavras da escritora e pesquisadora Cláudia Assef, autora do livro “Todo DJ Já Sambou – A História do Disc-Jóquei no Brasil” (Editora Conrad – 2008), onde o Índio Blues tem destaque especial. Na dedicatória do livro, Flávia escreveu: “Ao mais louco de todos, porém, o mais sábio”. Pergunto o motivo: “eu solto a frase certa no ar”, diz o índio que tem fama de mal-humorado e inacessível – comportamento do qual desconfio, ou então fui agraciado por ser do Acre tão distante e/ou por ter feito uma boa compra com negociação bem-humorada.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, o Índio Blues ainda pilota o rock como DJ. Agora mesmo, dia 26 de maio, vai abrir o show da lendária banda UFO, na estrada desde 1969 e que vem ao Brasil pela primeira vez. Na Galeria do Rock, ele faz parceria com os irmãos Magrão e Moacir, na loja “Aqualung Records Ltda”, No. 305 – Fone-fax (11)3222-0284, <a href="http://www.aqualung.com.br/">www.aqualung.com.br</a>. “Estamos juntos desde quando inventaram o buraco no meio do disco”, riem.</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_313" class="wp-caption alignnone" style="width: 499px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-313" title="image011" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image011.jpg" alt="Acima: o guitarrista Santana apontando para Índio Blues...  Abaixo: publicações sobre ele em revistas, jornais e livros..." width="489" height="366" /><strong>Acima: o guitarrista Santana apontando para Índio Blues&#8230;                                             Abaixo: publicações sobre ele em revistas, jornais e livros&#8230;</strong></dt>
</dl>
</div>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-314" title="image013" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/05/image013.jpg" alt="image013" width="489" height="367" /></p>
<p style="text-align: justify;">Índio Blues gosta do que realmente é bom. De Ataulfo Alves, Cartola, Elizeth Cardoso, Tom Jobim a Jimi Hendrix, cuja obra “Electric Ladyland” (1968) ele indicaria sem nenhum temor a qualquer criança de 13 a 90 anos que queira começar a conhecer rock de verdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Por tudo isso, é quase impensável que nesse pedaço de cidade tão contraditório e caótico ainda existam espaços de amizade, cultura, beleza e encantamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Fundada em 1963, com seis mil metros quadrados, atualmente com mais de 25 mil visitantes por dia (crianças, jovens, idosos), a Galeria do Rock – completamente revitalizada – deixou de pertencer à elite burguesa paulista, deixou de ser obscura, para dar lugar aos amantes da irreverência, da boa música e da saudável fraternidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguma coisa acontece no coração quando cruzamos a Ipiranga e a Avenida São João&#8230; E a Galeria está lá, pertinho&#8230; Um ponto de luz e som, com seu índio comandando a tribo.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p><strong><span style="color: #993300;">NOTA: ESTA É A PRIMEIRA PARTE DE DUAS QUE FAREI SOBRE SÃO PAULO. NA PRÓXIMA EDIÇÃO DO VARAL: OS MERCADOS, O AYUASQUEIRO NA PUC, CINEMA, LIVRARIA, JORNALISMO E O SEBO MAIS ANTIGO DA CIDADE&#8230;</span></strong></p>
<p><strong><span style="color: #993300;"><br />
</span></strong></p>
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		<title>INAUGURAR FUTUROS&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 04:57:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Afonso</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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 Foto: Marcos Afonso


Tudo    começou neste abril quando vieram os presentes.
Primeiro     foi a charmosa mini-geladeira Brastemp, com aqueles quatros pés    palito,  que ocupou nobre espaço na sala. Dias depois, chegou o gorducho    relógio  de corda, vermelho, com os dois gongos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_268" class="wp-caption alignnone" style="width: 441px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-268" title="Foto: Marcos Afonso" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/04/image0021.jpg" alt="image002" width="431" height="593" /> <strong>Foto: Marcos Afonso</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Tudo    começou neste abril quando vieram os presentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro     foi a charmosa mini-geladeira Brastemp, com aqueles quatros pés    palito,  que ocupou nobre espaço na sala. Dias depois, chegou o gorducho    relógio  de corda, vermelho, com os dois gongos do despertador,    números,  ponteiros, tudo como era, da Tok&amp;Stok (mais na frente,    comprei um  filhote da Quartz para o relojão, uma família!).</p>
<p style="text-align: justify;">Por     fim, emoção para os ouvidos: um Rádio Vintage, dial de ponteiro, com     AM/FM, armado de pequena antena e três pilhas Rayovac que puxam a     Difusora e a Aldeia FM.</p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_269" class="wp-caption alignnone" style="width: 346px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-269" title="Foto: Marcos Afonso" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/04/image0041.jpg" alt="image004" width="336" height="448" /> <strong>Foto: Marcos Afonso</strong></dt>
</dl>
</div>
<div class="mceTemp">
<p style="text-align: justify;">Foi  quando me dei conta de que estava rondando umas antigas saudades em  plena pós-modernidade. Fiquei muito curioso, mesmo sendo devoto de  Picasso que disse ser preciso muito tempo para ser jovem, coisa que  acredito fervorosamente, boto fé e queimo as mãos.</p>
<p style="text-align: justify;">Então  resolvi fazer uma profunda, contundente e silenciosa meditação  transcendental em busca de respostas. Horas, segundos, milênios depois,  me encontrei – bastante aturdido &#8211; frente a frente com a linda Pítia,  sacerdotisa do templo de Apolo, nas colinas ventiladas de Delfos, para  escutar os augúrios.</p>
</div>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_270" class="wp-caption alignnone" style="width: 484px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-270" title="A cidade grega de Delfos... " src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/04/image0061.jpg" alt="image006" width="474" height="328" /> <strong>A cidade grega de Delfos&#8230; </strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Demorou   a sessão e o debate sobre o motivo das minhas saudosidades.</p>
<p style="text-align: justify;">A   sacerdotisa, viajando nos universos paralelos da teoria das supercordas,   decidiu rememorar-me esta última semana de abril, já que todo o mês   demoraria uma calenda.</p>
<p style="text-align: justify;">Resumiu-me  a semana. Foram vários os  dias dedicados: do livro, do índio, da Terra,  do disco(?) e do  Chorinho. Disse-me também as datas históricas:  Tiradentes,  Descobrimento, Revolução dos cravos, aniversário de Brasília  (com certo  pesar, pelas vergonhas recentíssimas&#8230;). Por fim, e cheia  de alegria,  anunciou-me o início do reinado de Touro, os ocorridos  nascimentos de  Shakespeare e Lênin – e para dar alento ao meu  patriotismo – contou-me a  chegada ao mundo de Agostinho dos Santos e São  Pixinguinha.</p>
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_271" class="wp-caption alignnone" style="width: 482px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-271" title="O templo de Apolo, onde conversei com a linda Pítia..." src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/04/image0071.jpg" alt="image007" width="472" height="294" /> <strong>O templo de Apolo, onde conversei com a linda Pítia&#8230;</strong></dt>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Passado   um tempo e olhando as verdes colinas, Pítia respirou forte e   prolongadamente, dizendo: “Nesta semana estão também lembrados meus   diletos companheiros de celestialidade: o Expedito – para as dívidas,   desesperos e amores perdidos &#8211; e meu caro São Jorge, da proteção e   justiça, que ainda peleja com o dragão na lua, só que agora pelo lado   escuro”&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Fiquei   esperando&#8230; Mas e os augúrios que as lembranças possam estar   anunciando?</p>
<p style="text-align: justify;">A Pítia   disse-me estar cansada. Entretanto, vendo meu nervoso, ordenou: “Vá à   frente do Templo, pois lá estão escritas no pórtico as tuas   respostas”&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Corri. E   munido de um dicionário espiritual, li atentamente: “Conheça-te a ti   mesmo” e logo abaixo: “Nada em excesso”.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-272" title="image009" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/04/image0092.jpg" alt="image009" width="444" height="292" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><img class="alignnone size-full wp-image-273" title="image011" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/04/image0112.jpg" alt="image011" width="213" height="298" /> <img class="alignnone size-full wp-image-274" title="image013" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/04/image0131.jpg" alt="image013" width="215" height="298" /></p>
<p style="text-align: justify;">Acordei suando em cântaros e, com os olhos fechados, resolvi relaxar, procurando entender as frases.</p>
<p style="text-align: justify;">E lá vieram as novelas de rádio (“O Egípcio” e o “Direito de Nascer”). O guaraná Artárctica, a pequena garrafa térmica, o Biotonico Fontoura, os produtos Granado, a pasta Colgate e os sabonetes Palmolive e Phebo. E também os livros, as velhas agendas, cadernos de notas estilo Moleskine, a lupa, as miniaturas, os VHS e a deusa Artemis em gesso.</p>
<p style="text-align: justify;">E fui me reconhecendo neles, constatando que cada um teve a sua medida certa, no tempo em que eram necessários.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-275" title="image015" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/04/image0151.jpg" alt="image015" width="221" height="342" /> <img class="alignnone size-full wp-image-276" title="image017" src="http://www.varaldeideias.com/1/wp-content/uploads/2010/04/image017.jpg" alt="image017" width="225" height="341" /></p>
<p style="text-align: justify;">A cada ano em abril me chegam os grandes pensamentos típicos dos aniversários. Grandeza que nem sempre significa profundidade. Mas trazem algum proveito.</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas saudades foram ingênuas, simples, mas decididamente importantes, porque ao lado de cada objeto, situação, estava sempre uma esperança, uma vontade de mudança, um querer de liberdade.</p>
<p style="text-align: justify;">Chego à conclusão de que estas memórias disseram-me que as tristezas na minha vida foram menores e grandes os desertos sobrevividos.</p>
<p style="text-align: justify;">A cada abril conheço-me um pouco mais e modero meus excessos.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, vou continuar recebendo meu maior presente: o de inaugurar futuros&#8230;</p>
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